FéMenina

Tempo frio, coração quentinho

Quem me con­hece sabe que amo plan­tas e no tex­to ante­ri­or fiquei me segu­ran­do para não falar delas, mas ago­ra não jeito, vou ter que falar, hehe. Quero lem­brar que ain­da esta­mos falan­do do tal do Inver­no, tão temi­do e mal inter­pre­ta­do o pobre…

Então, o inver­no é essen­cial para algu­mas plan­tas, por exem­p­lo o amor-per­feito, lin­do né? Flo­resce no inver­no. Out­ras plan­tas de inver­no: a lavan­da, a tuli­pa, o ale­crim, amam frio. As orquídeas mar­avil­hosas, tem pelo menos duas espé­cies bem con­heci­das o cym­bid­i­um e o den­dro­bi­um que pre­cisam do chama­do “estresse hídri­co” para flo­rescer. E nas fru­tas? Sabe a maçã? O tem­po frio faz com que elas pro­duzam a sac­arose, deixan­do a maçã docin­ha, não somente ela, mas várias out­ras fru­tas. E as árvores que dão som­bra, é no inver­no que acon­tece a tão temi­da poda, mas esse pro­ced­i­men­to é quase que pri­mor­dial para que as plan­tas acu­mulem ener­gia e pos­sam flo­rescer na Pri­mav­era.  

Ok, já enten­di que você gos­ta de plan­ta, mas onde vai dar essa con­ver­sa Greyce?” 😅 Cal­ma, já estou chegan­do lá. O que acon­tece com as plan­tas acon­tece conosco tam­bém, Deus nos ensi­na através delas. 🤯 Falam­os no tex­to ante­ri­or sobre os proces­sos, e em uma plan­ta é o que mais tem: O proces­so da semente cair na ter­ra, mor­rer, dar o primeiro brot­in­ho, dar as primeiras fol­has, flo­rescer e por fim fru­ti­ficar. Lem­bro de quan­do fui vis­i­tar um orquidário, e um dos aten­dentes era um sen­hor que sabia muito sobre as várias espé­cies de orquídeas (aluguei o coita­do por algu­mas horas). Uma das coisas que ele comen­tou é que o prin­ci­pal no cuida­do delas é a obser­vação. “A plan­ta vai te diz­er o que ela pre­cisa, você pre­cisa prestar atenção”. Prestar atenção em uma plan­ta dá tra­bal­ho. Não é de uma hora para out­ra, exige obser­var todo o proces­so. Ensi­na a gente ter mais paciên­cia, vai por mim…

Um dos cuida­dos para que as plan­tas sobre­vivam no frio é colo­car cas­cas pro­te­toras sobre elas, não as soter­rar, mas cobri-las com uma cama­da para que a ter­ra não con­gele as raízes. Out­ro cuida­do é deixa-las em um ambi­ente fecha­do com uma tem­per­atu­ra mais ame­na, mas com mui­ta lumi­nosi­dade para que não murchem. 

A este pon­to você já deve estar perceben­do quan­tas semel­hanças exis­tem entre nós e o proces­so nas plan­tas, não é? Quan­do o tem­po do inver­no chega sobre nos­sas vidas pre­cisamos estar com o nos­so coração aque­ci­do, cober­to com casquin­has que o aque­cem e não o deix­am con­ge­lar. Mas como é isso? “Quem encon­tra alguém pra cam­in­har nes­sa estra­da que é viv­er…” Alguém lem­brou da músi­ca do Baruk? Sim, nos­sos ami­gos, os ver­dadeiros ami­gos e irmãos são as casquin­has que aque­cem nos­sas raízes e não deix­am o nos­so coração con­ge­lar. E mes­mo pro­te­gi­dos em um lugar com tem­per­atu­ra ame­na, não podemos esque­cer que a lumi­nosi­dade que dá cresci­men­to vem lá do alto, do nos­so Sal­vador Mar­avil­hoso que per­mite os inver­nos na nos­sa vida, mas nun­ca nos deixa soz­in­hos. Sem­pre está nos trans­mitin­do a Sua luz mar­avil­hosa cheia de vida para que pos­samos “faz­er a fotossíntese”.

Mas e a poda Greyce?” Sim, a poda dói, e como dói! A poda não é fácil, T.D Jakes fala o seguinte sobre a poda:

Quan­do o agricul­tor se aprox­i­ma com seu gan­cho de poda, pre­ven­do o cin­za e a tris­teza daque­la estação, nós temos uma escol­ha. Nós podemos per­manecer no proces­so e ser­mos poda­dos con­forme Ele nos mol­da para nos pare­cer­mos mais com Ele, ou podemos escol­her nos­sa zona de con­for­to ime­di­a­to e tem­porário e perder nos­so futuro.

Já comen­ta­mos que a poda faz parte do proces­so, Deus não está cas­ti­gan­do ninguém, ape­nas nos podan­do para que pos­samos exper­i­men­tar o Seu poder em nos­sa vida. Algo que pre­cisa ser lem­bra­do é que nestes momen­tos não esta­mos soz­in­has, Deus está conosco e tam­bém usa pes­soas em nos­so favor. Pre­cisamos estar aber­tas ao tratar de Deus na nos­sa vida através das pes­soas que Ele colo­ca ao nos­so redor. 

“[…] aque­les que choram e abraçam sua angús­tia ten­dem a curar a dor mais ple­na­mente do que aque­les que ten­tam fin­gir que estão bem.”

Con­fes­so que ao pas­sar por alguns “momen­tos cin­zas” em min­ha vida, busquei me esqui­var daque­las pes­soas que tiravam “Raio X” de mim. Sabe aque­las pes­soas que olham pra você e sabem cert­in­ho o que está acon­te­cen­do? Pare­cem que tem uma máquina de Raio X. Então, já fiz a besteira de ten­tar fugir de quem que­ria me aju­dar, pen­sei que soz­in­ha con­seguiria, mas foi muito mais difí­cil. Pre­cisamos falar, externar o que esta­mos sentin­do, pensando. 

No livro Cam­in­hos da Graça, a auto­ra fala da exper­iên­cia de José no momen­to em que esta­va cara a cara com os irmãos que havi­am lhe feito tan­to mal (Gn 45). Ele pre­cisou ver­balizar o que esta­va sentindo: 

José pre­cisa­va que alguém lhe falasse da sua angús­tia para expres­sar sua revol­ta. Tudo que não é ver­bal­iza­do em palavras per­manece solto, livre, ater­ror­izante. Por isso que o proces­so ter­apêu­ti­co e a con­fis­são são exper­iên­cias lib­er­ta­do­ras – o que aflige é pos­to em palavras, recebe um nome, e com isso pas­sa ao plano do sim­boliza­do, passív­el de representação.

O Inver­no é um tem­po som­brio? Pode até ser, mas o frio do inver­no estim­u­la um dese­jo de cura e de saúde. É o que Gary Chap­man fala no livro “As qua­tro estações do casa­men­to”, ele ain­da ressalta que “Quan­do o tem­po esfria, ficamos den­tro de casa para nos­sa própria sobre­vivên­cia e esper­amos a tem­per­atu­ra aumen­tar ou mudança de estação”, mas salien­ta que “as estações não mudam sem algu­ma ação pos­i­ti­va”. Não podemos ficar esperan­do que a mudança caia no nos­so colo. Den­tro desse proces­so há um momen­to de “Deses­pero que leva às pes­soas a bus­carem aju­da de um con­sel­heiro, pas­tor ou ami­go de con­fi­ança.” Não somos super-heroí­nas! Pre­cisamos bus­car aju­da sim. Pedir aju­da não enver­gonha ninguém!

Por out­ro lado, pre­cisamos de mais pes­soas do “Raio X”, lem­brou do que eu citei antes né? Então, seja aque­la pes­soa que olha para o teu ami­go, teu famil­iar, teu cole­ga de tra­bal­ho e percebe quan­do ele está pas­san­do por algu­ma difi­cul­dade. Chame para tomar um café, um choco­late quente (A Mar­t­in­ha tem uma recei­ta TOP), chame para uma sopin­ha quentinha. 

Con­vide, insista, per­gunte, ouça o desabafo, enx­ugue as lágri­mas, chore jun­to, mas seja alguém com quem se pos­sa dividir a car­ga. Paulo na car­ta aos Gálatas fala isso mes­mo: Lev­ai os far­dos uns dos out­ros e assim estareis cumprindo a lei de Cristo. (Gl. 6.2). 

O tem­po está frio, mas o coração pre­cisa se man­ter quentin­ho, tan­to o seu como o de quem está per­to. E logo, logo a Pri­mav­era 🌻 estará chegando! 

Com car­in­ho da Tante Greyce

Refer­ên­cias:

JAKES, T.D. Esma­ga­do: Deus trans­for­ma pressão em poder. Trad. Rob­son Pereira, São José dos Cam­pos, SP: Inspire, 2020. p. 92.

Op. Cit. p. 83.

WONDRACEK, Karin Hellen Kepler. Cam­in­hos da graça: iden­ti­dade, cresci­men­to e direção nos tex­tos da Bíblia. Viçosa, MG: Ulti­ma­to, 2006. p. 91.

CHAPMAN, Gar­ry D. As qua­tro estações do casa­men­to. Trad. Valéria Del­ga­do, São Paulo: Mun­do Cristão, 2006. p. 30.

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