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O dia em que eu quis quebrar o espelho!

Você lembra daquelas cenas de filmes em que a atriz, num momento de raiva, por impulso, atira algum objeto no espelho e desconta toda a sua raiva nele? E pior, algumas até protagonizaram cenas sangrentas ao darem um soco nele.

Sim, o espelho é um alvo fácil.

Quebra-se em instantes.

Sua fragilidade é revelada num piscar de olhos, em um pequeno movimento brusco. Mas algo que podemos constatar é que, o espelho mesmo sendo frágil, revela outros “alvos” frágeis: você e eu, nós.

Sua fragilidade não o impede de despertar em nós insatisfação, tristeza, revolta. Coitado do espelho! Ele só cumpre o papel para o qual foi criado e é alvo de tanta indignação e frustração. Eu definitivamente não queria ser um espelho de parede, e muito menos um espelho de guarda-roupa. Esse sofre ainda mais, pois, sempre quando uma mulher veste suas roupas, recorre a ele para conferir o visual. E se há descontentamento, a cara feia já é apontada em sua direção. Repito: coitado do espelho!

Afinal, por que descontamos no espelho aquilo que nos incomoda?

Pelo fato de estamos com problemas interiores maiores do que podemos imaginar. A revolta contra o espelho ocorre quando, por dentro, muita coisa não está bem. Talvez seja por causa de uma fase complicada nos relacionamentos, rotina desajustada, provas, trabalho, acúmulo de tarefas, familiares com problemas ou até mesmo, pecados de estimação não confessados e deixados.

Gostaria que você pensasse: alguma vez você começou algum processo de mudança exterior para tentar mudar o coração? Pense comigo! Diversas vezes radicalizamos no corte de cabelo, estouramos o limite do cartão (por gastarmos demais com roupas que nos façam sentir bem, sem falar nas promoções chinesas né?! Lotamos o carrinho), fugimos para o ‘shopping’ no final de semana e piramos nas lojinhas de maquiagens comprando batons que serão facilmente borrados pelas máscaras, mas não paramos 5 minutos em silêncio diante de Deus para avaliar o que NÃO anda bem na parte que mais importa: a de dentro.

Quando a mudança ocorre de fora para dentro, ela logo passa, e mudança de fato não é. Por mais empolgadas que estejamos, será fogo de palha. Logo voltaremos aos maus hábitos e não gostaremos nadinha do que veremos diante do espelho (again e again). Gosto muito de como Paul David Tripp fala sobre esse assunto:

Se o meu coração é a fonte do problema do meu pecado, então a mudança permanente deve sempre abranger a totalidade do meu coração. Não é suficiente alterar meu comportamento ou mudar minhas circunstâncias. Cristo transforma as pessoas mudando radicalmente seus corações. Se o coração não mudar será inútil.

Por isso hoje, quero te incentivar a refletir: você tem parado para olhar para seu coração? Tem percorrido o caminho inverso e se preocupado mais em mudanças exteriores? Lembro-me das palavras do salmista que diz com sinceridade:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações.
Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno. (Salmos 139.23,24).

Pedir para Deus sondar o coração, é estar no caminho certo para viver mudanças que prevalecem. Por isso, tire um tempo com Deus e alinhe seu coração. Neste tempo com Ele, sugiro que responda algumas perguntas:

  • – Por que estou insatisfeita?
  • – O que eu quero e devo mudar?
  • – Quais passos realistas que posso dar hoje em relação ao processo de mudança?

Já que falamos tanto de espelho lá no início deste texto, volto a perguntar: E você, quer quebrar seu espelho hoje? Se sua resposta for positiva, já sabe que o problema nunca foi e nunca será ele. Faça alguma coisa, mas a começar pelo coração!

Marta Hoffmann Bueno

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