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Meta de amizade: Por que Rute e Noemi são exemplos de cuidado?

Você gos­ta de boas histórias ou bons livros? Leituras que pren­dem a nos­sa atenção e quan­do vê horas já se pas­saram? Eu sim. Um dos livros da Bíblia que eu amo é o livro de Rute. Ele tem uma história cheia de emoções, tratan­do de amizade e amor, bem como da providên­cia div­ina. As per­son­agens cen­trais são duas mul­heres que pas­saram por uma crise e agi­ram com fé. Grandes escritores afir­mam que o livro de Rute foi escrito em um perío­do tur­bu­len­to na História de Israel. Os israeli­tas vivi­am oscilan­do entre sua rebel­dia con­tra Deus e a vol­ta para Ele. O povo só bus­ca­va a Deus por aqui­lo que podi­am rece­ber dEle, e para livrar-se das angús­tias, mas, logo o povo volta­va a rebel­dia con­tra Deus. A vida do povo era egocên­tri­ca, cen­tra­da neles mesmos.

Rute, nora de Noe­mi, foi uma grande mul­her de Deus. Suas qual­i­dades e sua história foram tão mar­cantes, que ela gan­hou um lugarz­in­ho na Bíblia. As qual­i­dades de Rute eram infini­tas, pois sem­pre demon­strou fidel­i­dade, obe­diên­cia e presta­tivi­dade. Mes­mo sendo moabi­ta, ori­un­da de uma nação pagã, ela achou seu espaço entre o povo judeu. Rute super­ou todas as adver­si­dades a sua vol­ta, e se tornou uma das maiores refer­ên­cias bíbli­cas de uma mul­her ded­i­ca­da e cuidado­ra. A história de Rute nos traz um exem­p­lo, de uma mul­her de Deus, e agra­ci­a­da pelo Senhor.

Noe­mi sofreu as mais pro­fun­das e tristes per­das. Toda a família dela saiu de Belém na procu­ra de bens maiores, na ten­ta­ti­va de fugir da fome e da crise, mas em Moabe ela perdeu os bens mais pre­ciosos. Ela perdeu as pes­soas mais impor­tantes da sua vida, perdeu rela­ciona­men­tos e o essen­cial. Enfren­tou o dra­ma da solidão, e ficou sem qual­quer herdeiro que pudesse dar con­tinuidade a her­ança deles. Noe­mi não via esper­ança, pois foi como se tivesse sido enter­ra­da na cova jun­ta­mente com seu esposo e fil­hos. Emb­o­ra fos­se uma mul­her cristã, sua fé foi abal­a­da desen­vol­ven­do uma ideia erra­da acer­ca da providên­cia div­ina, e no seu entendi­men­to, a vida pas­sou a ser miserável.

Com todos os acon­tec­i­men­tos já não tin­ha motivos para per­manecer em Moabe, e tomou a decisão de retornar para Belém. Ape­sar des­ta pro­fun­da angús­tia, ela pede para que suas noras voltem ao seu povo, dese­jan­do bênçãos sobre a vida delas, pois Noe­mi sen­tia-se um peso na vida delas. De cer­ta for­ma esta­va abrindo mão de duas mul­heres que pode­ri­am ajudá-la e apoiá-la. Entre­tan­to, diante da insistên­cia de Noe­mi, Orfã parte para sua ter­ra natal, porém Rute per­manece e segue viagem com Noe­mi. Rute, não con­seguia deixar Noe­mi soz­in­ha, e esse impul­so vin­ha da sua alma, vis­to que o todo o des­ti­no esta­va em sua escol­ha, em suas mãos. No ver­sos dezes­seis e dezes­sete do primeiro capí­tu­lo, Rute faz uma declar­ação de amor a sua sogra, um jura­men­to de amor a uma sogra estrangeira, viú­va e desamparada.

Porém Rute respon­deu: — Não insista para que eu a deixe nem me obrigue a não segui-la! Porque aonde quer que você for, irei eu; e onde quer que pousar, ali pousarei eu. O seu povo é o meu povo, e o seu Deus é o meu Deus. Onde quer que você mor­rer, mor­rerei eu e aí serei sepul­ta­da. Que o Sen­hor me cas­tigue, se out­ra coisa que não seja a morte me sep­a­rar de você. Rute 1.16–17.10

Rute afir­ma fidel­i­dade, deter­mi­nação e com­pro­mis­so de amor, dese­jan­do com­par­til­har seu futuro ao lado de Noe­mi. Rute se con­verte ao Deus de Noe­mi e o invo­ca para fir­mar seu jura­men­to. Ela dis­pôs-se a seguir Noe­mi, largan­do tudo, todo seu pas­sa­do, seus deuses prim­i­tivos, ain­da que sua sogra viesse a mor­rer. A respos­ta de Rute é expressão clás­si­ca de fidel­i­dade, pois ela declara seu amor a Noe­mi, e recusa-se a deixá-la, ago­ra, e em qual­quer ocasião. A con­ver­são de Rute é uma pro­va da graça de Deus, pois tudo ao seu redor rep­re­sen­ta­va uma série de obstácu­los e cir­cun­stân­cias neg­a­ti­vas para a fé, porém, ela creu em Deus.

A história de Rute e Noe­mi traz a lição que o poder do amor é mais forte do que as tragé­dias da vida, é mais forte do que a morte, e nem as águas do oceano podem apa­gar. O amor de Rute por Noe­mi é como um farol que con­tin­ua bril­han­do até nos dias atu­ais. Rute ama a sua sogra, ape­sar de Noe­mi estar cheia de amar­gu­ra e, talvez, nem dar muito val­or do seu cuida­do para com ela. Rute se sac­ri­fi­cou pelo bem de sua sogra, o que não é con­sid­er­a­do como seguro para si, mas ain­da assim, o cer­to. C. S. Lewis diz:

Amar é sem­pre ser vul­neráv­el. Ame qual­quer coisa e cer­ta­mente seu coração vai doer e talvez se par­tir. Se quis­er ter a certeza de man­tê-lo intac­to, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mes­mo a um ani­mal. Envolva‑o cuida­dosa­mente em seus hob­bies e pequenos lux­os, evite qual­quer envolvi­men­to, guarde‑o na segu­rança no esquife de seu egoís­mo. Mas nesse esquife — seguro, sem movi­men­to, sem ar- ele vai mudar. Ele não vai se par­tir- vai se tornar inde­strutív­el, impen­etráv­el, irred­imív­el… O úni­co lugar além do céu onde se pode estar per­feita­mente a sal­vo de todos os riscos e per­tubações do amor é o inferno.

Além do amor, é rev­e­la­da a importân­cia da amizade, des­fazen­do o mito de que o rela­ciona­men­to entre nora e sogra é cheio de ten­sões. As per­son­al­i­dades de Rute e Noe­mi eram difer­entes, pois Rute foi cri­a­da em Moabe, enquan­to Noe­mi era israeli­ta. Provavel­mente, os cos­tumes tam­bém eram difer­entes, assim como ado­ravam a deuses de for­mas difer­entes. Con­tu­do, a decisão de Rute para cuidar de Noe­mi ia muito além do casa­men­to com seu fil­ho. O seg­re­do deste rela­ciona­men­to esta­va no com­pro­me­ti­men­to com Deus em primeiro lugar, depois, o com­pro­me­ti­men­to uma com a out­ra. Amar e fir­mar esse com­pro­mis­so diante do mes­mo Deus influ­en­ciou em cada aspec­to do rela­ciona­men­to e na for­ma recíp­ro­ca de cuidar.

Rute não acom­pan­hou sua sogra somente nos tem­pos de adver­si­dade, de pobreza e escassez, mas tam­bém con­tin­u­ou hon­ran­do Noe­mi depois de ter casa­do com um homem rico. A deter­mi­nação de Rute, de ficar com Noe­mi, não teve cur­ta duração. O com­pro­mis­so de Rute fez difer­ença na própria vida, bem como na vida das pes­soas que ama­va e cui­da­va. Ela esta­va dis­pos­ta a deixar que Deus trans­for­masse sua vida e  cumprisse com a von­tade dEle. Além dis­so, influ­en­ciou Noe­mi, ape­sar das cir­cun­stân­cias, sem imag­i­nar que Deus esta­va cuidan­do delas e cumprindo seu propósito.

Essa lin­da história nos inspi­ra e traz grandes lições da importân­cia de cuidar do out­ro, inde­pen­dente das cir­cun­stân­cias ou dos laços famil­iares. Que Deus nos dê graça e sabedo­ria nas situ­ações diárias da vida para agir como Rute, demon­stran­do cuida­do através das ações para com o próx­i­mo. Que pos­samos ser meninas/mulheres que refletem o amor de Deus, através da obe­diên­cia, da fidel­i­dade, e do cuidado.

Jaque­line Bresch

 

REFERÊNCIAS:

LOPES, Her­nan­des Dias. Rute: uma per­fei­ta história de amor. São Paulo: Hag­nos, 2007.

MIRANDA, Mar­i­ley. As cin­co vir­tudes de Rute. San­ta Cata­ri­na, 20 dez. 2017. Disponív­el em: http://palavraprofetica. com.br/as-cinco-virtudes-de-rute/. Aces­so em: 20 abr. 2020.

MORRIS, Leon. Rute. São Paulo: Nova Vida, 2006.

NETO, Emílio Garo­fa­lo. Redenção nos cam­pos do Sen­hor: as boas novas em Rute. Brasília: Mon­er­gis­mo, 2008. Ebook.

WIERSBE, War­ren W. Comen­tário Expos­i­ti­vo: Anti­go Tes­ta­men­to: vol. II, históri­co. San­to André: Geográ­fi­ca edi­to­ra, 2006.

 

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