juntos e shallow now

Juntos e shallow now | Concurso Congresso FéMenina

Juntos e shallow now?

Recentemente um assunto viralizou nas redes sociais e foi motivo de muitos memes e figurinhas enviadas em grupos de mensagens instantâneas, utilizadas de maneira bem-humorada para representar a contradição originada da junção e tradução feita de um trecho da música “Shallow” da Lady Gaga, tema do filme Nasce uma Estrela.

Essa repercussão se deu pelo fato de que na versão apresentada em português a música fala que estamos “juntos e shallow now”, que traduzindo é “estamos juntos e rasos agora”, e isso é no mínimo engraçado.

Na realidade a versão original diz: “We’re far from the shallow now”, que traduzindo é “estamos longe da superfície agora”. Sobretudo, esse trecho descrito na versão original, apresenta um sentido oposto ao da versão brasileira. Porém, independente dessas questões ambas versões  agradaram ao público. E, aqui no Brasil, mesmo sem sentido a música é ouvida e cantada por muitos. Isso, por sua vez remete para o quão superficiais e rasos podemos ser em nossas reflexões. Contudo, se refletirmos de uma maneira mais profunda vamos concordar que quando se trata de relacionamentos (família, amigos, igreja, estudos, trabalho, DEUS), não há sentido ou razão para sermos superficiais. Aliás, relacionamentos superficiais tendem a demonstrar uma vida superficial.

Sim, é verdade que vivemos tempos de exacerbadas conexões virtuais, as quais, na maioria das vezes procuram colocar em evidência pessoas perfeitas com vidas perfeitas. E, quanto maior a perfeição, maior o número de likes, amigos e seguidores. E, nesse contexto, cantar ou falar que estamos juntos e shallow now já não parece tão sem sentido, pois criamos uma condição de falsa intimidade, ou seja, estamos “juntos e rasos”.

Sob essa perspectiva, podemos ir além e pensar que a exemplo da música, muitas pessoas têm perdido o sentido ao tentar traduzir ou criar versões de suas vidas a partir da vida do outro. Se apresentam sob uma identidade na qual não se reconhecem e vivem o vazio de uma vida aparente e rasa, que não aprofunda conhecimento sobre si, o outro, o meio em que habita e especialmente com o próprio Deus, autor da vida.

Ocorre que quando subtraímos a essência de Deus e extraímos ou buscamos o sentido da vida tão somente no que é aparente, damos largos passos em direção ao superficial. Ávidos por aceitação vamos elegendo ídolos, momentâneos, ocos e que não se sustentam. Ídolos que são rasos em forma e conteúdo.

Talvez essa busca por contemporaneidade, tenha nos levado a aceitar o superficial como suficiente, sem aprofundar o conhecimento e relacionamentos. Porém, não devemos cair no engano de simplesmente sermos e, ou termos seguidores, seja qual for a tendência: moda, comportamento, dietas, religiosidade…

Obviamente, o problema não está em nos conectarmos com o mundo, pois isso por si só não representa algo ruim ou negativo, ao contrário, facilita a aproximação por transpor barreiras como de tempo, dinheiro, timidez… O problema é que muitas das relações que decorrem dessas conexões são tendências vazias de sentido ou centradas em si mesmas, na busca por parecer e não por ser, nos tornamos uma multidão de solitários.

Mas, não foi com esse propósito que fomos criados. Nossa existência é fundamentalmente para a glória de Deus! Desde o princípio Ele nos criou como seres relacionais e não para a solidão. Fomos criados para um relacionamento com Ele e com toda a obra da criação. Mesmo quando o pecado separou o homem de Deus, Ele provê o “verbo encarnado” para habitar entre nós e nos trazer de volta a intimidade (João 1:14).

Assim, devemos olhar para a Bíblia que nos convida a Deus, para O “conhecer e prosseguir em conhecê-lo” (Oséias 6). Isso implica um ato de busca constante, que resulta num relacionamento real, verdadeiro e profundo. E à medida que avançamos em conhecer a Deus avançamos em nossos relacionamentos, encontraremos solidez e não solidão.

O apóstolo Paulo já exortava aos Romanos quanto ao fato de não tomarmos a forma deste mundo, mas que tivéssemos nossa mente renovada a fim de experimentar a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Então, biblicamente falando não devemos ser “rasos”, pois isso nos remeteria a uma vida sem sentido e Deus nos criou para relacionamentos profundos, compromissados com o Reino, firmados no amor e enraizados na Palavra! Esta é a beleza da profundidade do conhecer a Deus! Nele não há razão para sermos rasos ou sem sentido, tão pouco para vivermos relativizando nossa vida, relacionamentos, padrões, emoções e decisões.

Que nossa oração seja por uma vida centrada em Deus, numa caminhada repleta de experiências excelentes, profundas e transformadoras, que busca a profundidade das riquezas do conhecimento de Deus, e nEle encontra o sentido de viver!

Juntos e shallow now – Vera Santos

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