Homossexualidade e a igreja

“Na igreja? Mas como assim na igreja? Como assim perto das nossas crianças? Como assim com seus parceiros, sentados em nossos bancos?”

Para começo de conversa, leiamos o versículo a seguir: 

“Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros”. Romanos 12. 4 e 5

As falas que iniciaram esse texto são recortes ínfimos de preconceitos grandiosos que ocupam o coração de muitas pessoas cristãs. São pessoas cristãs que ainda não entenderam muito sobre Cristo, provavelmente. Nós todos estamos sujeitos a cairmos na tentação pecaminosa do preconceito contra diversas pessoas. Algumas delas, pessoas que vivem práticas ou comportamentos homossexuais. Quando caímos nessa tentação estamos indo contra o amor ensinado por Deus e o princípio do corpo de Cristo.

Falemos sobre o corpo.

Enquanto Igreja de Jesus (e não nossa!) somos chamadas a agir como membros de um corpo, corpo este que Ele é o cabeça. Conhecemos a metáfora, já lemos um tanto de Romanos, mas e aí? E a prática?

O que fazem os olhos desse corpo quando um travesti bem travestido passa ao seu lado na rua? O que diz a boca desse corpo quando percebe dois homens de mãos dadas no mercado ou duas mulheres se beijando na praia? Ora ora ora, esse corpo não funciona só dentro do prédio, não é mesmo? O corpo de Cristo age em qualquer lugar e sob quaisquer circunstâncias. Esse corpo usa seus olhos e boca com respeito ao próximo, usa seus braços e mãos com amor para abraçar e acolher todo ser humano. E no contexto de igreja local dois membros se fazem mais pertinentes ainda. Os ouvidos.

E se fossemos mais ouvintes, como ensina o meio irmão de Jesus (Tiago 1.9)? E se guardássemos as pedras que ferem comportamentos e começássemos a ouvir as histórias, os motivos, os medos, as tragédias e os soluços? E se aprendêssemos a ouvir com amor – o amor é paciente e bondoso, diz Paulo (1 Coríntios 13)? E se parássemos, finalmente, de fazer caso com os homossexuais que entram na igreja para ouvir do Amor?

Meninas, não estou as convidando a concordar com o pecado da homossexualidade! Estou as convidando a ouvir as pessoas. Como Jesus fez com a mulher Samaritana, com Nicodemos, com Marta. Pecadores como nós, com suas trajetórias tortuosas como nós. Descobriremos durante a conversa o que fazer depois. Buscaremos em Jesus as palavras. Encontraremos uma forma justa de amar. 

Falo isso depois de alguns anos vivenciando aconselhamentos e descobrindo que o quanto estou disposta a escutar é o diferencial. É o que faz a pessoa querer voltar, querer freqüentar, querer saber mais. A verdade é que os bancos das “nossas” igrejas estão cheios de pessoas lutando contra ou vivendo em práticas homossexuais em segredo, pois não sabem onde encontrar bons ouvidos. Mas e se elas encontrassem em nós boas ouvintes quando precisassem de alguma ajuda? Essa é uma boa pergunta, todavia tenho algumas outras. Sobre os que estão conosco em nossas casas, trabalhos, faculdades e academias… Eles sabem que podem confiar na gente seus segredos mais baixos e seus medos mais antigos? Será que passamos a verdadeira mensagem de que podem vir a nós quando se cansarem de abusos e estiverem sobrecarregados de rótulos? Eles encontrão alívio nas nossas palavras? Eles receberão amor? (Não se enganem, alívio e amor não sobrepõem confronto. Mas é confronto sem preconceito!).

Oro para que vivamos nossa sexualidade de forma plena e saudável. Oro para que você se dedique em estudar o assunto, se é essa sua vocação específica (assim como o é para mim). Oro para que todo homossexual que se esbarrar com a gente perceba algo diferente e chame esse algo de Amor e queira conhecer sobre o Autor do nosso amor: Jesus. Como alguns dizem e a gente sabe bem, Love wins (O amor vence).

Em amor,

Emanuelle Bartolomeu.

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