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História de Amor – Letícia e Bernardo

Hey! Em uma breve apresentação… Eu sou a Letícia C. M. Kuss, tenho 21 anos e sou natural de Chapecó-SC. 

Boa parte da minha adolescência eu li as histórias de amor do Fémenina e suspirei muito com elas, sonhando com a minha, e por fim, chegou a minha vez de viver uma e contar para vocês! Sempre fui louca pelos detalhes, e por isso, vou encher deles para vocês…

Janeiro de 2017…

Se o ano anterior foi de dúvidas quanto ao futuro – com o final do Ensino Médio -, nesse ano tudo se intensificou tremendamente. Estava ansiando por estudar teologia, pois nos últimos tempos, Deus tinha me despertado para o estudo dela, mas várias coisas me deixavam em xeque, por isso, estava mais para cursar arquitetura. Contudo, isso provavelmente só aconteceria na metade do ano.

Com isso, estando livre de mais compromissos, aproveitei para ir ao máximo de congressos e acampamentos possíveis. E começou com o ACAMZECA. 

Em razão de minha família e eu termos ficado um ano e pouco fora da Pioneira, havia perdido o Acamzeca de 2016 e não via os poucos amigos que tinha feito nesse acampamento há um bom tempo. Sempre fui tímida e insegura demais, não é à toa que sempre fui a esses acampamentos e poucos são os que me conhecem e eu a eles. Mas ainda havia alguns.

Chegando no ABP logo encontro um deles, o Bernardo Kuss. Não éramos próximos, pois como eu comentei, eu era muito na minha e às vezes mal tinha coragem de conversar muito, com medo do julgamento das pessoas. E ele era uma dessas pessoas, principalmente por ser um cara inteligente – sempre o admirava por isso. Já nos encontrávamos nos acampamentos desde o Enjumer, mas ele sempre foi mais amigo das minhas amigas que meu. O que mais fazíamos juntos eram as provas dos Concursos Bíblicos, que podíamos sentar juntos já que não éramos da mesma cidade.

Fiquei feliz em revê-lo, conversar um pouco sobre como as coisas iam e o que esperávamos do futuro. Ele estava com a grade curricular da Faculdade Batista Pioneira (FBP) e me falava sobre o intuito de ir para lá, sobre seu chamado. E aí que eu entrei com minha vontade de estudar teologia, e minhas dúvidas sobre querer isso, mas meus pais acharam  melhor que eu fizesse outra faculdade primeiro. O que ele falou me marcou muito: “chega uma hora que é você quem precisa escolher”. Ele tinha razão.

Conversamos bastante durante aquele Acamzeca. Ficamos amigos do preletor daquele ano e, por isso, conversamos a maior parte do tempo sobre teologia. Por fim, chegou a hora de irmos embora. Como somos da mesma regional, a maioria das vezes íamos de caravana para os acampamentos, por isso voltaríamos no mesmo ônibus. Em uma vontade sincera de ver as meninas novas na fé da minha cidade sentarem juntas, cuidando para não deixar nenhuma sozinha, perguntei para o Bernardo, com quem ele iria sentar: “com você”, ele disse. Tomada pela surpresa daquela resposta, fiquei feliz em poder sentar com ele.

Não preciso nem dizer que ficamos conversando a viagem toda de volta… Eu, que normalmente durmo boa parte das viagens, não consegui dormir naquela. Como nunca antes, surgiram, além da teologia, tantas coisas em comum entre nós… Era o gosto pela leitura, a apreciação por Jazz, o interesse de aprender outras línguas, além do inglês que já sabíamos, e assim foi. Não acabavam os assuntos. Estávamos tão diferentes de um tempo atrás… E em meio a isso, me deu o que eu chamo de um click: “eu poderia passar tranquilamente o resto da minha vida com esse cara”. Foi assustador? Com certeza! Fiquei bem pensativa sobre o assunto, e guardei ele pra mim.

Ao longo do ano – 2017

Depois daquele Acamzeca, passamos a conversar pelo WhatsApp, agora que eu já tinha celular pra isso. Fazia um ano que eu tinha, e antes mal mantinha contato com os amigos dos acampamentos por isso, e por não ter redes sociais. (Pois é, sempre fui meio de Nárnia hehe).

Conversávamos regularmente, às vezes até demais. Até que um dia… Ele me deu um corte… Pensa naquele corte. Disse que não queria misturar as coisas, que queria ser apenas meu amigo. Acho que muitas gurias se abalariam com um corte desse, mas eu comecei a gostar ainda mais dele por isso. 

Já fazia mais ou menos um mês do Acamzeca e eu, desejando não ser levada apenas pela emoção, como muitas vezes fui, orei bastante, analisei bastante a possibilidade de passar uma vida com ele, e me apaixonei. Lembra daquele click? Aquilo me deu uma certeza que eu não esperava, era estranho, mas muito certo pra mim. Me apaixonar foi a consequência.

Naquele ano nos vimos mais do que eu esperava. Quando eu gostava de alguém, sempre pedia a direção de Deus que, se fosse pra ser, que pudéssemos nos ver mais, se não, que Ele tirasse o cara da minha vida. Digo pra vocês, que Ele sempre tirava, por isso fiquei muito surpresa com os encontros com o Bê. 

Nos vimos no Congresso, no Extreme, no meu aniversário, no dele, no Impacto, no Enjumer… Foi fora de série! Vou comentar um pouco sobre alguns desses encontros pois tiveram sua importância na trajetória. Comecemos pelo meu aniversário.

Maio de 2017

Eu não ia, de jeito nenhum, convidar o Bernardo para o meu aniversário. Não que eu não quisesse profundamente ter ele junto, mas não queria transparecer para ninguém que eu gostava dele, nem pra ele. Então não convidei. Um amigo nosso em comum, o Otávio Cardoso (que antes morava em São Miguel do Oeste – a cidade do Bê – e no momento estava em Chapecó), resolveu chamar o Bernardo para passar o fim de semana na casa dele. O encontro de jovens seria na minha casa, junto com minha festinha. O Bê ficou sabendo pouco antes da hora de tudo isso.

História de amor - Letícia e Bernardo

Que nervoso… Eu tremia quando soube… Mas claro que fiquei bem faceira com isso! Melhor surpresa que essa? Difícil! Conversamos bastante nesse dia, sobre teologia (pra variar), livros e afins. Foi incrível! E a despedida… Ainda não comentei isso, mas o abraço dele… Nunca conheci igual! Nunca dava vontade de sair dele…

Junho de 2017

Como já comentei, queria estudar teologia. Depois de pensar bastante nesse ano sobre isso, e entender que não havia lugar melhor para usar todos os diferentes dons, principalmente na área das artes, que Deus me deu, do que no ministério, mais meu desejo aumentava. No entanto, sempre fui uma filha que ouvia seus pais e seguia o conselho deles. Por isso, a ideia inicial era que eu só participaria do Wake Up (um programa de 6 meses de imersão nesse mundo da Teologia).

Então chegou a Conferência Impacto. Esse ano foi em Ijuí. Passei bastante tempo com o Bernardo nesse Impacto também. Era ele, eu e a Manu (Emanuela Rodrigues, uma amiga/irmã que sempre estava junto) a maior parte do tempo. Assistimos oficinas em comum, e conversamos bastante sobre elas. Foi o ano em que a FBP, que fica em Ijuí, fazia 50 anos e eles iam fazer uma comemoração com os conferencistas. Nós fomos.

História de amor - Letícia e Bernardo

Lá, houve um testemunho de um rapaz surdo que estudava lá, o Sérgio Pieniak Jr., conhecido como Serginho. O testemunho me tocou bastante, falava muito sobre confiança em Deus quanto ao futuro ao ir para o seminário. A partir daquele momento, eu comecei a entender que não era para eu ir apenas para o Wake Up no próximo ano, mas ficar os 4 anos na faculdade. 

O Bernardo esteve sempre junto durante o desenrolar do meu chamado. Ele tinha chamado, e eu sabia que se eu não tivesse, não daria certo. Não entendam errado, não foi por causa dele qualquer decisão que eu tenha tomado, mas ele influenciou, independente se nós fossemos ficar juntos ou não. 

Bom, agora já seríamos colegas do seminário. Eu tinha medo de que, por gostar dele, perdêssemos nossa amizade. Eu tinha prometido pra mim mesma que não seria eu a dar o primeiro passo, a me declarar para alguém novamente, como já havia feito e me arrependido amargamente. E, realmente, não fui… Nem ele.

Setembro de 2017

Esse foi o ano que o Bernardo foi para o Quartel, na cidade dele mesmo. Então, por vezes ficávamos tempos sem conversar por causa de seus serviços e requerimentos de lá. Ficava sempre curiosa e também preocupada com ele, querendo saber como ele estava, pois sabia que não estava sendo fácil.

Fazia umas semanas que não nos falávamos, quando mandei uma mensagem perguntando como ele estava. Ele não lembra disso, mas ficou super agradecido por eu ter perguntado, e disse que ninguém se importava com ele como eu, e que eu valia ouro… Você já sabe como me senti, mas espera para o final.

 

O Bê tinha horário pra dormir, por precisar acordar bem cedo. Então conversa vai, conversa vem e ele me manda bem assim, do nada: “11H, BOA NOITE, TE AMO”. “Respira” eu dizia pra mim mesma. Não sabia o que pensar. Principalmente, porque quando mandei uma mensagem no aniversário dele, ele disse que me amava “EM CRISTO”, como teve o cuidado de ressaltar. Tentei não alimentar expectativas, e foi o que fiz. 

No dia seguinte, não sabia o que dizer, e ele não dizia nada. Eu realmente não sabia o que fazer com relação a isso, pois, ao mesmo tempo que não queria me declarar, não queria deixar passar como se não sentisse nada. Então mandei uma música.

 

Era bem comum nós nos mandarmos músicas, então pensei comigo mesma: vou mandar essa música e se ele entender, entendeu. (Pare agora e ouça a música e veja a tradução pra você entender melhor: The Thief – Brooke Fraser).

Não sabia o que esperar. Fiquei bem nervosa esperando o que ele ia responder, e como ele ia entender aquilo. Pasmem! Ele entendeu. Até hoje não entendo como, mas vejo que se não fosse assim, nenhum de nós teria falado nada até hoje.

Depois disso, as coisas começaram a mudar entre nós. Nenhum tinha coragem de colocar em palavras claras tudo aquilo. Foi aos poucos. Logo mais começamos a orar juntos. Líamos salmos um para o outro, por áudio, e começamos a aprofundar ainda mais nossas conversas, para nos conhecermos melhor.

Já tínhamos vários fatores ao nosso favor, e o principal era que éramos cristãos, tínhamos chamado e íamos para o seminário no ano seguinte. Deus foi confirmando cada vez mais coisas. Uma delas era a questão da Côrte.

Eu nunca havia namorado ou sequer beijado alguém, e isso era algo que queria fazer com aquele com quem eu fosse casar e no altar. Para minha surpresa, o Bê também não tinha nem namorado, nem beijado ninguém ainda. Quando falei desse meu desejo, ele correspondeu a ele, e vi que isso era mais uma resposta de Deus pra nós.

Com o tempo ambos ficamos certos do que queríamos. Logo já começamos a pensar no casamento. Também inteiramos nossos pais. Em Novembro ele foi pra Chapecó pedir permissão para meu pai para que saíssemos juntos apenas. Um encontro. Nosso primeiro encontro sozinhos, e o primeiro da nossa vida.

Novembro de 2017

Estava chovendo bastante esse dia. Mesmo assim, o Bê veio de São Miguel a Chapecó de moto. Pegou um carro emprestado de um conhecido e veio me buscar para sairmos. Fomos a um café com um ambiente bem agradável, onde, por causa da chuva, ficamos dentro, em um canto, onde a parede era de vidro e podíamos ver a chuva e a parte de dentro do café, cheia de plantas e uma piscina.

Ficamos das 15h até às 19h lá conversando. Nunca achei que teria tanto assunto. Por mensagem sempre é mais fácil que pessoalmente. Mas fluiu demais, e se já sou risonha, imagina como eu não conseguia parar de sorrir nesse momento.

Janeiro de 2018

No dia 12, o Bernardo foi liberado do quartel. Dia 13 ele foi para Chapecó para me pedir em namoro para meus pais. (Embora não gostássemos do termo “namoro”, pois tínhamos decidido pela côrte, acabamos usando ele depois.) Não foi nada demais. Ele foi almoçar lá em casa e depois conversamos com meus pais. Eles já estavam bem tranquilos quanto a isso e não teve nada daquela “prova” que muitos fazem. Eles confiavam em mim.

Ele me deu uma correntinha de prata com um coração, e assim firmamos compromisso.

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Fevereiro de 2018 em diante…

Logo nos mudamos para Ijuí e começamos o Wake Up. Nesse projeto é proibido começar a namorar, e namorar também. Então não digo que foi um período fácil, pois recém estávamos juntos. Não podíamos ficar sozinhos juntos, nem dar a mão ou abraçar. Éramos mais amigos que qualquer outra coisa, apesar de precisarmos manter certa distância. Muitos foram descobrir mais tarde que estávamos juntos. Tentamos seguir bem as regras. Foi um período interessante para nos conhecermos, pois passávamos o dia juntos e passamos vários momentos de pressão pela intensidade das programações. E nada como tempos como esse para realmente conhecer alguém.

Conversávamos mais por whatsapp e bilhetinhos. Até poemas surgiam…

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Julho de 2018 – Bolívia

A viagem missionária do nosso Wake Up foi para a Bolívia. Passamos dois dias dentro do ônibus para chegar lá. Dois dias em que eu e o Bê passamos juntos.

Logo em um dos primeiros dias, fomos passear nos pontos turísticos de Sucre. Chegamos a um lugar, que tinha vista de toda a cidade. Era lindo. De repente todos começam a se reunir em um dos cantos e o Bernardo começa a falar. Pensei que ele ia falar algo da história do lugar, já que ele gosta e conhece bastante disso. Então ele começou a falar. Eu não estava entendendo muita coisa. Até que ele falou algo e entendi que era para mim. Ele estava recitando um poema, que escreveu pra mim… E então, ele se ajoelha e me pede em casamento. (Tenho o vídeo disso.) Óbvio que aceitei. Que surpresa! Não esperava mesmo que fosse lá e assim. Foi demais!

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Segundo semestre de 2018 em diante

Terminado o Wake Up, pudemos ficar mais juntos, conversar mais, sair, fazer devocional e irmos crescendo um com o outro. Foi um tempo muito bom e bem desafiador também. Costumo dizer que, como convivemos todo o dia, passamos por aquele choque de adaptação que muitos passam no primeiro ano de casados, nesse período. Houveram crises duras em nosso relacionamento. Mas Deus estava à frente de tudo. Deixamos Ele nos moldar e fomos nos moldando um ao outro também, aprendendo a ceder, perdoar e nos relacionar de acordo com a vontade de Deus.

Começamos a planejar o casamento desde então. Seria dali a mais ou menos um ano. Quem já casou sabe a correria e o estresse que isso tudo dá… Mas, conseguimos planejar e fazer um casamento do jeito que eu sonhava (pois para ele não precisava de tudo aquilo haha… Homens…). Fizemos os convites à mão, e até ensaiamos uma dança… Coisas que eu queria muito… Além de casar ao ar livre…

Dia 29 de Junho de 2019

Esse dia tinha tudo para ser muito frio e até chuvoso. Sonhar em casar ao ar livre tem riscos, ainda mais no inverno. Mas Deus nos abençoou com um dia perfeito: dia de sol e quente.

Quando vai passando o tempo, sempre pensamos no que poderia ter sido diferente em nosso casamento, mas não mudaria nada. Foi um dia muito feliz e especial, onde também demos o nosso primeiro beijo. Confesso que foi estranho, e depois que melhorou. Mas foi único e precioso. E não me arrependo disso por nem um instante e não teria escolhido diferente.

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Hoje, 2021

Já temos um ano e meio de casados e estamos no nosso último ano do seminário. Vários desafios nos esperam neste ano e no porvir. Mas juntos, e com Deus, vivemos muito felizes e com a certeza de que Ele nos guiará a cada dia.

Já não somos as mesmas pessoas que se conheciam dos acampamentos, mudamos demais. Mudamos porque permitimos que Deus nos mudasse, para que pudéssemos sermos melhores para Ele e um para o outro.

Quando sonhamos segundo a vontade de Deus, Ele atende. Tive uma história de amor melhor do que sonhei, mas tive que ser paciente, sem baixar os meus padrões. E Deus foi bom demais!! Não só foi, mas continua sendo bom…

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Letícia e Bernardo

 

 

 

 

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