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Consolo para o coração despedaçado em luto

Pes­soas encon­tram seus inver­nos diari­a­mente. Às vezes, o vemos se aprox­i­man­do; out­ras vezes, é repenti­no, ines­per­a­do, chega em um tele­fone­ma. A questão é: nen­hum de nós está pron­to para encar­ar o luto.

Antes de seguir esse tex­to, gostaria de que meu coração encon­trasse o seu nes­sa leitu­ra. Não foi fácil escr­ev­er, provavel­mente não será fácil para ler. Con­tu­do, creio que Deus dese­ja traz­er ao nos­so coração palavras de esper­ança em meio ao sofri­men­to, para que nos­sa fé seja for­t­ale­ci­da em meio a dor. Assim, ire­mos dis­cor­rer aqui sobre a per­da de um ente queri­do e como nos­so Cri­ador sober­a­no cam­in­ha conosco em meio aos tem­pos sombrios. 

Talvez você não con­si­ga ler esse tex­to nesse momen­to con­sideran­do o que você tem pas­sa­do. Tudo bem. Respire fun­do, ore, peça a Deus con­so­lo e lem­bre-se de que você não está soz­in­ha. Você pode parar por aqui. Talvez você este­ja con­viven­do com alguém que sofre pelo luto. Cal­ma, no tem­po dela, talvez essa leitu­ra seja impor­tante – primeira­mente, antes de qual­quer pas­so, ter­mine a leitu­ra, ore e peça ao nos­so Sen­hor sabedoria.

Até hoje, enquan­to escre­vo este tex­to, 578.326 pes­soas mor­reram por Covid em nos­so país. Cer­ta­mente, as famílias já pas­savam ante­ri­or­mente pelo luto, além de que pes­soas pade­cem por out­ros motivos. Ain­da, a dor não aumen­ta pelo número imen­so, mas gostaria de traz­er essa infor­mação para um detal­he: Nos­sa nação está em luto. Em nos­sa história recente, descon­heço um momen­to em que tan­tas pes­soas próx­i­mas sofrem por terem per­di­do seus entes queri­dos em tão pouco tem­po. O Brasil não sen­tiu a dor de uma guer­ra, mas um vírus veio nos lem­brar que não temos o con­t­role sobre a vida. Nem a min­ha, nem a sua. Assim, através desse destaque, te con­vi­do des­fru­tar do con­so­lo que o Evan­gel­ho traz a nos­sa alma e para os nos­sos corações partidos.

Ain­da, gostaria de deixar claro aqui: cre­mos que a Bíblia é a Palavra de Deus, sendo per­fei­ta e atu­al para lidar com todos os dile­mas das nos­sas vidas. Por isso, nela encon­tramos o refres­co que nos­sa alma anseia. Atual­mente, encon­tramos pre­gadores prom­e­tendo ape­nas pros­peri­dade. Con­tu­do, não é essa a promes­sa. Deus prom­ete que, ain­da que andemos “no vale da som­bra da morte”, Ele estará conosco. Deus não está longe do afli­to. Ele não se dis­tan­ciou de você ou de seu sofri­men­to. Ele se impor­ta pro­fun­da­mente com você enquan­to você luta em meio à sua dor. O salmista recon­hece a fidel­i­dade de Deus mes­mo em meio a uma enorme angus­tia: “Per­to está o Sen­hor dos que tem coração que­bran­ta­do e sal­va os de espíri­to oprim­i­do” (Salmos 34.18). Deus não se afas­ta de você em seu sofri­men­to, pelo con­trário, “per­to está o Sen­hor de todos os que o invo­cam” (Salmos 145.18). No Evan­gel­ho encon­tramos inúmeras ver­dades que nos aux­il­iam a for­t­ale­cer a nos­sa fé, porque ao con­hecer mais a Deus, o Pai, a Jesus e o Espir­i­to San­to, podemos ren­o­var a esper­ança em um Cristo que venceu a morte.

Ufa, (lon­ga res­pi­ração). Poderíamos ter­mi­nar nos­so tex­to aqui. Entre­tan­to, ain­da gostaria de reforçar alguns out­ros pon­tos e traz­er algu­mas ver­dades apli­cadas para esse momen­to difícil.

 

Você pode ser sin­cera com Deus. 

Às vezes, não con­seguimos expres­sar o que esta­mos sentin­do quan­do alguém nos per­gun­ta: “está tudo bem?”. Não vale a pena ten­tar explicar, ou mes­mo ten­tar retornar a esse espaço escuro e assus­ta­dor. A respos­ta mais fácil (e muitas vezes mecâni­ca) é “está tudo bem”. Ten­demos a faz­er o mes­mo com Deus. E aí, eis o peri­go: começamos a falar com Deus, nos­so Cri­ador e Rei, com a mes­ma bar­reira de segu­rança que respon­demos ao próximo.

O escritor do Salmo 77 esta­va em meio a uma situ­ação deses­per­ado­ra e expres­sa ness­es ver­sos dúvi­das sobre seu cri­ador e sua fé. Sai­ba que Deus não se sobre­car­rega de nos­sas dúvi­das e recla­mações. Pelo con­trário, ele nos acol­he, nos abraça e, no tem­po cer­to, nos responde.

Vá até Deus com seu coração par­tido. Vá a Ele com sua dor e angús­tia. Vá a ele com suas dúvi­das sin­ceras e sua fé abal­a­da. Ele tem boas novas para você, mes­mo ago­ra, em seu sofri­men­to agu­do. Você pode con­fi­ar que Deus nun­ca a deixará ou aban­donará. Ele está agindo.

Você pode con­tar com o próximo. 

O reflexo nat­ur­al per­ante o sofri­men­to é o iso­la­men­to. Afi­nal, quem pode­ria com­preen­der aqui­lo que você está pas­san­do? Mes­mo sua família mais próx­i­ma, às vezes você parece estar em uma pági­na difer­ente do livro. Pais, irmãos, ami­gos ínti­mos… talvez nun­ca enten­dam exata­mente o que você está sentin­do, mas Deus os deu a você como um pre­sente e você vai pre­cis­ar deles nos dias que virão. 

Resista a ten­tação de com­parar o taman­ho do seu sofri­men­to. Em um dia, quan­do você sen­tir que o mun­do estiv­er cain­do ao seu redor, o out­ro vai dese­jar com­par­til­har boas lem­branças con­ti­go. Pro­cure esten­der graça um para o out­ro e ouvir com com­paixão, assim como seu Pai no céu fez por você. Dê pequenos pas­sos para se man­ter conec­ta­do com sua rede ínti­ma de pes­soas. Quan­do você pre­cis­ar de um tem­po sem out­ras pes­soas, retire-se, não para a solidão, mas para o aconchego do colo do Pai.

Além dis­so, lem­bre-se que o povo de Deus tem um min­istério especí­fi­co com aque­les que estão sofren­do. Em Romanos 12.15, Paulo ori­en­ta a Igre­ja a chorar com os que choram. Deus sabia pre­vi­a­mente das suas neces­si­dades e preparou um grupo de pes­soas para te aju­dar. Deixe-os saber como eles podem aux­il­iar – seja com as com­pras do mer­ca­do, coz­in­har ou escu­tar. O povo de Deus não é per­feito, mas foram chama­dos e prepara­dos para o cuida­do. Deixe-os chorar com você, con­fortá-la e enco­ra­jar a esper­ança em meio ao sofrimento.

E, final­mente, 

Pre­pare o seu coração para perdoar.

Se a morte de seu ente queri­do foi cau­sa­da pela neg­ligên­cia ou peca­do de out­ra pes­soa, eu lamen­to muito, muito mes­mo. O peca­do ou a neg­ligên­cia de alguém con­tribuin­do para a morte do seu é cer­ta­mente uma ofen­sa. Como você pode resi­s­tir à ten­tação de ado­tar uma ati­tude de amar­gu­ra frente aque­le que cau­sou essa dor arrasado­ra? Ou mes­mo, como você pode vencer o pen­sa­men­to do: “e se eu tivesse…?” Invari­avel­mente, você vai olhar para trás e ten­tar encon­trar algum momen­to em que uma ati­tude difer­ente pode­ria ter muda­do o resul­ta­do final. Entre­tan­to, quan­do con­fi­amos na sobera­nia de Deus, enten­demos que, até a imprudên­cia de alguém está debaixo do con­t­role divi­no e que isso coopera para o meu bem (Romanos 8.28). Assim como Deus nos per­doou de uma dívi­da impagáv­el (Mateus 18:21–35), deve­mos perdoar. 

O perdão não é aceitar injustiças, ou diminuir a dor, ou rec­on­cil­i­ação com aque­le que ofende, ou então um sen­ti­men­to. Perdão não é esque­cer. Tam­bém não é fácil. Con­tu­do, é uma promes­sa de não mais traz­er o peca­do à tona para si mes­mo, para o ofen­sor e para os out­ros. É con­fi­ar em Deus e deixar tudo diante dEle.

Assim, neste dia, oro para que a con­so­lação do San­to Espíri­to inunde sua vida e lhe tra­ga uma ale­gria ina­baláv­el. Que, ao olhar para a Cruz de Jesus você encon­tre esper­ança, porque existe um plano reden­tor e um Sal­vador que lev­ou toda a nos­sa cul­pa e que car­rega nos­so far­do. E, que seu coração pos­sa encon­trar abri­go no Deus que tudo sabe, tudo con­tro­la e tudo pode.

Que, assim como o salmista, pos­samos recitar inúmeras vezes: 

“O Sen­hor é o meu pas­tor; de nada terei fal­ta. Em verdes pasta­gens me faz repousar e me con­duz a águas tran­quilas; restau­ra-me o vig­or. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Mes­mo quan­do eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei peri­go algum, pois tu estás comi­go; a tua vara e o teu caja­do me pro­tegem. Preparas um ban­quete para mim à vista dos meus inimi­gos. Tu me hon­ras, ungin­do a min­ha cabeça com óleo e fazen­do trans­bor­dar o meu cálice. Sei que a bon­dade e a fidel­i­dade me acom­pan­harão todos os dias da min­ha vida, e voltarei à casa do Sen­hor enquan­to eu viver.”

Salmos 23:1–6

 

Com todo o meu coração,

Geíza.

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