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Como será o natal na sua casa?

   Naquele tempo, houve uma tal pandemia que mudou o jeito de se relacionar com as pessoas à nossa volta e no cenário mundial. Alguns diziam que o mundo parou, e outros, que turbinou. Em questão de poucos dias até o pessoal da terceira idade migrou para a vida digital. Tudo bem, seus netos deram uma força, e quem não conseguiu acompanhar participou mesmo assim. Foi naquela época que as muitas igrejas passaram do espaço físico dos templos para as telas de smartphones e computadores. Depois, juntaram os dois formatos e aumentaram exponencialmente a participação nos cultos e nos eventos das igrejas.

   Chegavam notícias pelos meios de comunicação difíceis de se receber. E, principalmente, quando vinham de parentes e amigos próximos, informando que alguém dos nossos queridos foi levado por um vírus que desafiou os cientistas. Protocolos de higiene, aulas presenciais suspensas, home office e um aprendizado precioso demais para passar despercebido: o valor das pessoas!

   Era inevitável não considerar a possibilidade de perder alguém querido ou se deparar com o fim da nossa vida, pois ninguém estava imune de ser infectado. As autoridades locais recomendavam que pessoas ficassem em casa com a família. E sabe o que aconteceu? As pessoas ficaram mais próximas dentro de casa e conectadas umas às outras, no que chamaram então de o “novo normal”. Apareceu tempo para fazer coisas que antes não cabiam na agenda. No Brasil, milhões de pessoas foram à internet semanalmente procurar a esperança de dias melhores, em Jesus!

   É incrível como o sofrimento muda o coração das pessoas, tornando-as mais solidárias e voluntárias. O Natal naquele ano foi inesquecível. Estávamos em família e com uma vizinha que morava sozinha, mas era de casa para nós. Minha família não era convertida. Estávamos tão felizes por estarmos juntos e eu pude ler, antes da ceia, um texto das Escrituras Sagradas que diz assim:

“O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. […] Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e o seu reino, estabelecido e mantido com justiça, e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso.” Is 9.2,6 e 7.[1]

  Não sei o quanto seus corações estavam abertos para receber a Palavra de Deus, mas percebi a oportunidade e compartilhei o ensino do texto bíblico da seguinte forma:

  A profecia foi feita por Isaías no século VI a.C., apontando para o nascimento do Salvador Jesus Cristo. A luz representa a salvação oferecida também aos não judeus, os gentios. Mas pode ser entendida, em todos os tempos, como pessoas não pertencentes ao povo de Deus; por não reconhecerem o Deus Criador e não o adoraram como o seu único Deus. O nascimento de Jesus foi um convite feito a todos, mesmo sabendo Deus por sua onisciência que nem todos o aceitarão.

  O menino da profecia é chamado de filho que tem sobre os seus ombros o governo. Portanto, um filho pertencente à realeza. Um descendente do rei Davi, conforme a sua genealogia descrita em Mt 1.1-17. Os judeus aguardavam a vinda do Messias (Salvador, Libertador) da linhagem de Davi.

Maravilhoso Conselheiro porque o Messias tem o poder de estabelecer um plano de ação e de o realizar plenamente. Vale a pena ler o capítulo 11 de Isaías, onde o referido plano é detalhado.

Deus Poderoso destaca o seu poderio como guerreiro, com poder divino para estar à frente das batalhas, inclusive das nossas batalhas até hoje.

Pai Eterno representa sua condição de protetor e provedor que ultrapassa os limites do tempo na história. Ele sempre o será, e estará eternamente atuando com compaixão.

Príncipe da Paz nos revela que Ele trará a cura e a convivência saudável às pessoas, vivendo elas em sociedade no âmbito global. Uma paz proporcionada a todo o seu povo. Esta é a vida em abundância ensinada por Jesus: ‘O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância’. Jo 10.10

  O texto acima termina mencionando a justiça contínua, característica do governo do esperado descendente de Davi. E zelo é o cuidado de Deus que nunca abandonou e nem abandonará o seu povo.

  Eu lhes expliquei que Jesus sempre vem ao nosso encontro pois quer nos proporcionar uma vida de qualidade aqui, agora e na eternidade. Venha do jeito que você está, é o convite.

   Todos ouviram atentamente. Depois oramos juntos, para agradecer a deliciosa ceia. Após a ceia, houve a troca de presentes. Foi legal ver que as coisas ficaram na ordem certa na noite de Natal. Primeiro refletimos sobre a importância de se comemorar o Natal. Depois, apreciamos a alegria da convivência com as pessoas que fazem parte da nossa vida.

Estarmos reunidos em torno do verdadeiro sentido do Natal foi o melhor presente que já recebi.

Fabiana Silvestrini

 

Referências:

Bíblia de Estudo NVI / organizador geral Kanneth Barker; coorganizadores Donald Burdick… [et al.]. – São Paulo: Editora Vida, 2003.

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