As oportunidades de Deus estão perto de você

“Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o
amor”. 1Co 13.13

Quase encerrando a série sobre a temática do Congresso FéMenina, Inteira, vamos conhecer o testemunho de duas pessoas plenamente felizes com o que Deus colocou aos seus cuidados.

Um povo não alcançado em nosso meio! Elas são a Dani e a Silvia. Mas hoje ficaremos com a história da Dani e na próxima semana, com a Silvia, virá o convite do CAIS, que comentei no artigo anterior. Não perca!

A Dani sentiu a convicção de um chamado para trabalhar no ministério aos 14 anos, vendo uma apresentação dos King’s Kids com uma coreografia que tinha LIBRAS. Então, estudou LIBRAS, fez a faculdade de fonoaudiologia com o objetivo de servir a Deus. Sua família nunca a apoiou muito, pelo fato de saber que ela precisaria ir morar em Curitiba, e aperfeiçoar-se no ministério, na Primeira Igreja Batista de Curitiba. E ela não queria caminhar nesta direção sem a benção da sua mãe. Como Deus conduz tudo com sabedoria, após concluir a faculdade de fonoaudiologia, a mãe da Dani ouviu de Deus que ele havia separado sua filha para o ministério. Com o detalhe que aquela foi a única vez que sua mãe ouvir Deus falar com ela. Benção concedida, e a Dani seguiu em frente. Em 2010 foi estudar teologia, em Curitiba. Como seminarista, atuou em todas as áreas do Ministério Eficiente (surdos, deficiência visual e deficiência motora) e implantou o Ministério AME, que atende deficientes intelectuais e autistas.

“Não é necessário ter uma formação específica para isso, explicou. Pois no começo, eu não sabia como ensinar a bíblia para o deficiente intelectual. Então, pensei: eu posso amar, abraçar, beijar. Assim, AME é o imperativo de amar, o amor ágape. Amamos, de forma intencional, sem esperar por nada em troca. A resposta do deficiente intelectual ou do autista será diferente.

Os desafios são enormes na igreja. Há o preconceito, o desconhecimento em achar que não é necessário ter essas pessoas na igreja ou de desenvolver a inclusão com as demais crianças. Se for adulto, pode-se desenvolver ações específicas, mas é importante que eles participem nas atividades da igreja; nos cultos, pequenos grupos ou células. Quando as demais pessoas pensam que atrapalha, dificulta a inclusão. Como corpo de Cristo, se uma igreja local não tem pessoa com deficiência, entendo que essa igreja é deficiente. Porque cada um tem a sua riqueza, a sua subjetividade. Eles também nos ensinam sobre o amor de Deus.

Precisamos quebrar esse preconceito, tirar o estigma de que é assunto desconhecido e tornar conhecido. Isso acabará atraindo pessoas que não são da igreja, numa ação evangelística. A inclusão é um instrumento para tornar o evangelho acessível para a pessoa com deficiência e sua família, pois ambos acabam ficando isolados. Não têm acesso a muitos lugares, muito menos na igreja. Quando abrimos as portas da igreja, acabamos ajudando essa família, proporcionando dignidade humana, melhoria de vida. O evangelho tem o poder de transformar de forma integral, pois Deus deseja tocar numa pessoa, numa família de forma integral. Igrejas com práticas includentes abrem oportunidades de transformação de vidas.

Em 2019 o Ministério Eficiente começou com o treinamento semestral chamado de “Igreja Acessível”. Para que os membros da PIB Curitiba conheçam mais sobre as deficiências, ensinando-os a incluir os deficientes em qualquer atividade da igreja e não apenas no Ministério Eficiente. Os deficientes poderão ser acolhidos e bem recebidos. A ideia é multiplicar a experiência para outras igrejas, ensinando sobre cinco áreas de deficiência: auditiva, visual, física, intelectual e autista. O próximo passo será ensinar a desenvolver ações específicas ampliando o conhecimento dos membros da igreja sobre o assunto.

Quando uma igreja considera a possibilidade de incluir os deficientes, isso já é motivo de gratidão. Não existe segredo. Acolher é tratar bem o deficiente como se trata qualquer outra pessoa. Na internet há meios de se informar um pouco mais. Incluir não é apenas proporcionar acessibilidade, pois de nada adianta ter uma rampa ou elevador se o deficiente é visto com indiferença quando chega ao templo. Ele se sente invisível. Por outro lado, uma igreja que não tenha acessibilidade, mas saiba acolher, valoriza a presença da pessoa com deficiência. É uma atitude positiva. Vale muito mais do que ter apenas estrutura física para receber. Acolher é o primeiro grande passo.

Para quem quer se desenvolver nessa área, converse com Deus a respeito, fale com o seu pastor, pois as pessoas com deficiência são um povo não alcançado pelo evangelho de Cristo. Pesquise a população da sua cidade, se há algum trabalho em outras igrejas, se informe sobre políticas públicas e ame”!

A Daniele Gotardo Veloso é Fonoaudióloga, Teóloga, Especialista em Educação Especial, Especialista em Educação Bilíngue para Surdos – Letras LIBRAS / Língua Portuguesa, Mestranda em Teologia, Docente na FABAPAR, TILSP, Ministra Auxiliar no Ministério Eficiente.

Fabiana Silvestrini

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