Toda menina cristã deve ser… cristã.

Parece redundante, mas não é. Tudo começou com os “do Caminho”, ou seja, os primeiros seguidores de Jesus, que mais tarde, ficaram conhecidos como cristãos. Daí, o nome. Gosto de ver entrevistas ou ler comentários de pessoas que não se identificam como cristãos, mas têm pontos de vista muito interessantes sobre nós. Estou falando de pessoas sensatas, que tem algo a contribuir. É como se ver de fora. Ás vezes, essa indagação pode nos trazer um certo receio. Afinal, como sou vista como pessoa? A minha vida é relevante?

Vamos voltar um pouco no tempo, lá para igreja primitiva. Alguém de fora já fez essa observação dos cristãos há muito tempo e deixou registrada em uma carta a sua impressão. Esse documento histórico, escrito provavelmente entre o II ou III séculos é a “Carta a Diogneto”. Acredita-se que Diogneto foi tutor do imperador Marco Aurélio. Na edição de março/abril de 2013 da Revista Ultimato, o teólogo Paul Freston discorre sobre essa carta. Super recomendo esse artigo.

Olha só, que interessante o que o escritor da carta observou. Escrevo aqui apenas alguns trechos, para nos dar um gostinho: “A diferença entre os cristãos e o resto da humanidade não é uma questão de nacionalidade ou linguagem ou costumes. Os cristãos não vivem separados em cidades próprias, nem falam um dialeto peculiar, nem praticam um modo de vida excêntrico.” Tampouco “seguem esta ou aquela escola de pensamento humano”.

Os cristãos não estavam isolados do resto das pessoas, mas difusos na sociedade; eles não falavam um vocabulário próprio, que os de fora não entendiam e a sua religião não era excêntrica do ponto de vista externo, ou seja, não estava fundamentada em ritos e rituais; não se identificavam também com alguma ideologia ou espírito da época. O autor segue falando que os cristãos, apesar de estarem difusos na sociedade, não praticavam o infanticídio nem a promiscuidade, mantendo-se fiel ao marido ou esposa. Eles eram hospitaleiros, retribuíam a hostilidade com bondade, a calúnia com benção. Eles não precisavam fazer um espetáculo da sua vida devocional, para que suas obras fossem vistas por homens: os cristãos podem ser reconhecidos no mundo, mas o seu cristianismo em si permanece escondido”. As marcas de Jesus estavam na essência dessas pessoas.

Temo que hoje, ser cristão, esteja muito relacionado a pertencer a uma igreja, fazer parte de um determinado grupo. E para “estar dentro” nos adequamos quanto nossas roupas, estilo de música, modo de falar. Ás vezes, nem entendemos o que cantamos, mas parece tão santo cantar. Uma vez estando dentro, o de fora passa a ser o “estranho” e se ele quiser pertencer, que mude seu estilo também. E com o  “estranho” eu não consigo mais me comunicar. Nada de errado em querer pertencer. É até bem natural, necessário. Mas deveríamos almejar muito mais. Como o autor escreve na carta que “são os cristãos que mantêm a unidade do mundo. Isso é maravilhoso!

Podemos ter a impressão de que as lembranças de Jesus e dos apóstolos passadas para as gerações deviam estar muito mais vivas na mente e no coração daqueles primeiros cristãos. Por isso, que ser cristão era tão puro e simples. Assim, a gente se engana. O essencial, para mudar a nossa essência, foi registrado nos Evangelhos e nas cartas dos apóstolos para nós. Precisamos ler, estudar e aprender, deixar de sermos analfabetos de Bíblia. Que tenhamos coragem de nos desprender desse mundo “gospel” e mergulhar em Jesus. Afinal, ser cristão é seguir a Ele.

O artigo citado foi escrito por Paul Freston e está disponível em http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/341/a-relacao-dos-cristaos-com-a-sociedade-na-igreja-primitiva-e-na-nossa.

*Photo credit: Hernan Piñera via VisualHunt.com / CC BY-SA

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