Solteiras e muito úteis

​Existe um potencial em nossas igrejas. Na maioria das vezes, negligenciado: SOLTEIRAS.

No meio evangélico, sobram programas e literaturas para crianças, adolescentes, jovens, casais e terceira idade, porém o que dizer das adultas sem cônjuge?

Na maioria das vezes, sem saber o que fazer com elas e sem conseguir “classificá-las” a igreja fica empurrando para um casamento, às vezes, prematuramente.

Muito triste! Desta forma a igreja passa algumas mensagens muito insensíveis do tipo:

  1. Uma pessoa solteira é incompleta;
  2. O objetivo da igreja para a solteira é achar um casamento;
  3. Só existe sentido relacional dentro do casamento.

Estou convicta que um dos melhores presentes quando nascemos na família de Deus é o de recebermos uma “família cristã”. Pertencemos à um Deus relacional. No Seu plano perfeito, Ele nos colocou em convívio em grupos para trabalharmos juntos na expansão do Seu Reino. Nestes grupos é onde vivemos a mutualidade e onde somos aperfeiçoados.

Quando a igreja é insensível às necessidades das solteiras, oferece à elas apenas a programação de “jovens” e destes grupos, participam jovens de 16, 18 anos com interesses muito diferentes da faixa etária entre 25, 35 ,45, 55, 60 anos ou mais. O que dizer das viúvas, divorciadas e desapontadas com relacionamentos que não mais existem? Onde abrir o coração?

Deus quer que tenhamos relacionamentos de valor, onde possamos exercitar a mutualidade. Aliás, minha experiência me mostra que pessoas que não sabem exercer esta mutualidade enquanto solteiras, terão grande dificuldade em exercê-la no contexto conjugal. A igreja deveria ser a maior promotora para este ambiente relacional saudável. Infelizmente o que vemos é o contrário: malícia, ciúmes, inveja.

Como assim? Na igreja? Sim…que tristeza! Basta haver uma aproximação entre pessoas de sexos diferentes, as insinuações começam, abortando uma grande amizade, ou gerando expectativas irreais em um dos envolvidos. Muitas vezes, solteiras de nossas igrejas acabam preferindo ter amigas “fora do contexto igreja” para evitar pressões ou comentários maliciosos. Desta forma, deixamos de cumprir uma das mais gostosas funções da igreja que é o de zelar por relacionamentos puros num contexto saudável proporcionando trocas e crescimento, apoio mútuo, amparo, enfim: mutualidade.

Meu convite é que façamos uma análise de nossos contextos e práticas:

  1. A igreja que participo promove ou estimula o encontro significativo entre as pessoas? Existe um espaço para as solteiras adultas?
  2. Quais são os meus pensamentos quando vejo pessoas de sexo diferentes desenvolvendo uma amizade?
  3. Quais são os meus comentários?
  4. Tenho um profundo respeito pelas pessoas com as quais me relaciono ou as empurro para confiarem mais em relacionamentos “fora do contexto igreja”?

Que Deus tenha misericórdia de nossos ajuntamentos e práticas e que possamos ser agentes de “vida relacional”!

Sugestão de Leitura:

  • Dilemas do Estado Civil, Compreendendo pessoas solteiras – Mariluce Emerim de Melo August – Editora Esperança.
  • Potencial Invisível na Igreja, 8 marcas de uma comunidade acolhedora para pessoas adultas sem cônjuge – Hartmut August – Editora Esperança.

Autora: Karen Lopes Wild – Florianópolis/ SC

Colunista-04
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