Série transtornos alimentares – Parte 2

Precisamos falar sobre anorexia!

Nas últimas décadas, a busca pelo corpo perfeito (que na nossa errônea visão é magro) tem levado muitas pessoas, principalmente meninas, a aderirem às dietas da moda. Vale (quase) tudo por um corpo mais magro. Muitas vezes, inclusive, diminuir drasticamente o número de refeições e calorias.

E esta busca por um corpo mais magro tem feito com que cada vez mais meninas tenham anorexia nervosa. A anorexia é um distúrbio alimentar que leva o indivíduo à obsessão pelo seu peso e por aquilo que come. A preocupação contínua com o peso corporal, o medo constante de engordar, a distorção da imagem do próprio corpo, a diminuição drástica no consumo de alimentos e a perda excessiva e rápida de peso são os principais sintomas, que levam a outros.

A doença pode começar sorrateiramente, apenas com uma dieta para perder 2 kg. Aos poucos, vai-se perdendo mais peso, diminuindo o número de calorias até chegar ao ponto da ingestão mínima ou nula de alimentos. Tudo diminui… menos a vontade de emagrecer! Por mais peso que se perca e ainda que os outros digam para a pessoa que ela está magra demais, ela continua se vendo gorda no espelho (uma completa distorção corporal). A anorexia nervosa é uma doença opressora!!

A experiência de cada pessoa é singular e hoje eu vou dividir um pouco da minha com vocês!

Tudo começou na adolescência, eu não era gorda, só mais “cheinha”, mas as amigas faziam brincadeiras com os meus quilinhos a mais e a família cobrava uma pequena perda de peso (2 kg, talvez). Depois de fracassar algumas vezes em iniciar uma dieta, consegui permanecer firme e me manter dentro de um plano alimentar. Comecei a fazer caminhadas… Tudo ia bem, eu estava feliz! Quanto mais peso eu perdia, mais animada eu ficava, menos eu queria comer e mais exercícios eu queria fazer. O controle sobre o que se come e sobre o corpo produz certo êxtase. E assim minha vida foi seguindo, fui perdendo cada vez mais peso e ficando cada vez mais magra. Mas a anorexia é uma doença opressora. Ela dá uma falsa sensação de controle, mas quem te controla é ela. Ela roubou minha autoestima, me afastou de alguns amigos, me tornou mais reclusa no meu mundo “pró-emagrecimento” e impedia que eu visse meu corpo como ele realmente era… eu sempre via minha imagem gorda no espelho.

Minha mãe assistiu a uma reportagem na TV sobre a doença e logo a viu em mim. Fui obrigada a começar o tratamento. E aí, veio a tristeza, o medo, o desespero. Fazer um tratamento para engordar, depois de perder tanto peso e estar “próximo” do que sempre quis (na verdade, não tão próximo, porque um anoréxico nunca acredita que está magro o suficiente) é aterrorizante e enlouquecedor.

Mas de alguma forma, eu consegui passar (quase) ilesa por aquilo. Ganhei 10kg e terminei o tratamento. Uma doença em que a taxa de recaída é grande, eu não tive nenhuma. Não que eu não quisesse, porque eu queria perder aqueles quilos novamente.

Mas Deus não quis. Ele não permitiu. E hoje, mais de 10 anos depois, posso afirmar: Ele me trouxe a cura (ainda que todos digam que pra anorexia nervosa ela não existe).

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