Prostituição

Em meio à multidão avistei um dos sorrisos mais contagiantes que já havia visto. Logo me aproximei dela junto de outra menina e começamos a conversar. Ela me impressionou com sua inteligência e tino para negócios. Giovana é o tipo de mulher que sabe se virar sozinha e poderia conquistar grandes coisas se não fosse um pequeno detalhe: ela largou tudo na Paraíba para fugir com seu companheiro para a caótica cidade do Rio de Janeiro. E esse “príncipe encantado” a obriga prostituir-se para pagar as contas enquanto ele assiste TV em casa. O que para mim não fez o menor sentido. Por que alguém tão talentosa iria se submeter a isso?

Pensei em diversas possibilidades. Mas nenhuma se encaixava. Ela não mencionou nada sobre ser obrigada a permanecer com ele, pelo contrário, ela disse gostar dele.

O que acontece, é que muitas das prostitutas têm como cafetão o próprio companheiro, e elas se sentem emocionalmente presas a eles. Essas mulheres querem ser amadas, e de forma distorcida acham que encontraram a resposta aos seus anseios nesses relacionamentos conturbados. Por medo de perder sua “fonte de amor” se submetem a qualquer coisa. Prostituição, espancamentos, separação da família, dos amigos, entre tantas outras coisas.

Mas, por pior que esse cenário pareça, me identifiquei com ele. Antes de prostituírem seus corpos, essas mulheres prostituem o coração. Eu fiz a mesma coisa durante muito tempo. Estava tão obcecada por casar que me envolvi com homens demais. Cheguei a ficar noiva e poucos meses antes da cerimônia desmanchei o noivado pela graça de Deus. Um mês depois descobri algo muito importante: eu estava procurando o amor no lugar errado. Nesse período minha mãe me perguntou se eu me sentia amada por ela e pelo meu pai. Silêncio. Eu nunca tinha parado para pensar nisso. E não, eu não me sentia amada pelos meus pais.

Foi um período muito difícil, mas como escreveu C. S. Lewis “Deus sussurra em meio ao nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor. Esse é o megafone para nos despertar num mundo de surdos”. Assim, num longo processo de cura, consegui enxergar Deus como o Pai amoroso e Jesus como o irmão mais velho que se sacrificou por mim. Finalmente me senti completa. Satisfeita. Feliz. Liberta.

Se você anda por aí pulando de relacionamento em relacionamento prostituindo seu coração, louca para casar com o primeiro que aparecer, ou se está presa em um namoro destrutivo, pergunte-se seriamente: Por que eu faço isso? Eu me sinto amada? E se sua resposta for negativa para segunda pergunta, eu tenho uma boa notícia. Mesmo que você ainda não se sinta amada, Deus te ama. Muito. E se você pedir com sinceridade, Ele não se negará em mostrar isso a você.

Talvez você pense que o sacrifício de Jesus na cruz seja algo muito genérico, que Ele morreu por TODO mundo, e você é só mais uma na fila do pão. Mas isso não é verdade! Ele tem um amor individual para cada um. Em Lucas 12:7 Ele diz que até os cabelos das nossas cabeças estão contados e que valemos mais do que muitos pardais.  E se Deus sabe o nome de cada estrela (Isaias 40:26), quanto mais o seu!

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração,
porque dele procedem as fontes da vida”. (Pv 4.23)

*Nomes de pessoas e lugares foram modificados para preservar as pessoas envolvidas.

Colunistas-AnaPydd

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