Para o homem que não dormirá comigo

Era um hábito que começou com as conversas bobas no corredor do colégio. Quando nos encontrávamos nas festinhas e tal. Eu escrevia sobre você no meu diário e trocávamos olhares e carinhos. E era tão bom ter você nos meus braços e chamar você de namorado.

Nossas vidas não estavam apenas conectadas por telefonemas e ligações em sussurro no meio da noite, que ecoavam na sala do apartamento que eu dividia com minhas amigas na universidade. Você estava lá, uma presença aconchegante.

Muitas de nós, boas garotas cristãs, faríamos isso. Por um tempo, nosso primeiro ano na universidade seria assim. A vida seria uma extensão do que era quando estávamos em casa. Nós orávamos, escutávamos música cristã, ríamos quando pensávamos nas coisas que aconteceriam no futuro. Então, nossos namorados viriam nos visitar ou simplesmente passar o final de semana. A liberdade que tínhamos agora se misturaria com um turbilhão de emoções e novas descobertas. Nós esqueceríamos que estaríamos guardando a “grande noite” para o casamento. Nós estávamos cruzando uma fronteira muito séria, entrando em um lugar de intimidade radical, mesmo se na nossa cabeça estivéssemos quebrando um mandamento, ou não.

Essa forma de agir apareceu em meus outros relacionamentos depois que terminei com o primeiro namorado. Ela se repetiu muito depois do primeiro ano na universidade. Muito depois da vida de estudante. Ela ecoou na dinâmica de cada relacionamento desde então, como as longas ligações telefônicas com meu namoradinho do colégio.

Deixe-me ser clara: nós sabemos que sexo antes do casamento é errado. Essa era uma fronteira óbvia que nunca deveria ser cruzada. Mas todo o rapaz que eu namorei, tinha o meu perfume em seu travesseiro. Cada relacionamento, passando a noite, não importando quão inocente isso poderia parecer, me levava de volta para o curso da minha vida amorosa. Eu me apaixonei por poucos homens, mas caí no hábito de fechar os olhos na cama de alguém e acordar no dia seguinte.

Isso era um consolo para o casamento que eu não tinha. Isso não era uma grande coisa para se preocupar. Eu estava apenas dormindo do lado de alguém.

Até eu conhecer você…

Nós já namoramos durante um ano agora. E ainda, acontece do mesmo jeito todas as noites que saímos. Não há nenhum travesseiro com meu perfume nele, não há um espaço reservado pra mim enquanto você dorme. Nas noites que saímos, você olha para o relógio e observa os ponteiros marcarem meia-noite. Então, quando chega a hora, você levanta e me estende a mão: “Vamos, deixe-me acompanhá-la até o seu carro”, você diz. Você chama isso de “momento Cinderela”. Esse é nosso apelido para o momento que nos despedimos. Quando você me acompanha carinhosamente e espera pela minha mensagem no celular de “chegue em casa bem, amo você”.

Para ser honesta, em um primeiro momento, isso me deixou confusa. Eu pensei que você me amava e me queria por perto o tempo todo.

Sim, nós éramos o “rapaz e garota cristãos bonzinhos”, mas os outros rapazes cristãos não quiseram todos a mesma coisa de mim, eventualmente? Não importava o quão dedicados e respeitados eles eram em suas igrejas.

Nós aprendemos isso, eu e outras mulheres solteiras. Que queremos ser desejadas, amadas. Sermos a rainha do baile, a Cinderela. E há algo sobre nosso rosto, nosso corpo que faz sermos desejadas, que nos dá palavras envolventes em troca de nosso número de telefone.

Então, eu percebi de onde vinha meu senso de valor. Ele vinha de um convite para passar a noite. Ele estava vindo do desejo de ser desejada por alguém. Ele vinha de um ritual que estava quebrando meus padrões. Tijolo por tijolo.

Mas você não quer isso pra mim. E, através deste pequeno gesto, dessa fronteira, deste padrão, dessa forma de pensar, você realmente me ama.

Você deseja me ver florescer. Você deseja guardar “aquilo” para mais tarde. Você deseja me encorajar e me liderar através de um relacionamento saudável. E melhor que isso, você me respeita. O que, de um modo estranho, se parece muito com amor. Amor de verdade.

Nosso relacionamento não será marcado por “dormidas”. Isso é algo sagrado que você quer guardar para mais tarde, pois também aprendeu a lição de um modo bastante duro.

Eu sou grata. Grata por ter alguém que não se deixa levar pelo pensamento: “isso não é uma grande coisa”. Você me diz que sim, é uma grande coisa. Você me faz saber disso por manter a sua palavra. Por me liderar de uma forma correta e proteger meu espírito.

Eu fico pensando se este é um sinal. Se é isso que faz a diferença. Que essa proteção para o meu coração e esse desejo de fazer as coisas de um jeito diferente do que a nossa cultura sugere (até mesmo nossa cultura cristã), é o que nos leva a uma vida linda.

Então, para o homem que não dormirá comigo: eu também não quero dormir com você.

Porque eu também te amo.

Texto original escrito por Brett Wilson e disponível em: http://www.ibelieve.com/blogs/brett-wilson/to-the-man-who-wont-sleep-with-me.html. Acesso em 11 de junho de 2015. Tradução: Roberta Ernst.

* alguns exemplos do texto original, por retratarem mais a cultura americana foram modificados para se aproximarem mais da nossa

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