supermulheres

O mito das supermulheres

Um suspiro sôfrego.

Quando foi que, de repente, as coisas saíram do nosso controle? Quando foi que, de repente, amontoados de tarefas foram derrubados em cima de nós? Quando foi que, alucinadas, passamos a correr de um lado para o outro cansadas, ansiosas, nos sentindo fracas, desanimadas e incapacitadas?

Me deparo quase o tempo inteiro com textos de outras mulheres falando sobre a sensação de incapacidade diante das tarefas diárias. Possuímos aquela mesma sensação de Marta, correndo de um lado para o outro sem saber o que fazer ou para onde ir, agindo no automático tentando cumprir listas de afazeres e demandas. Nesse afã diário percebemos nossa inaptidão de lidar com todas as coisas.

A verdade é que nossa limitação grita. Não somos supermulheres e isso é fácil de descobrir. Nos descabelamos, choramos e, no final, depois de tanto desespero, atribuímos nosso sucesso a nós mesmas. Ah, tamanha presunção dessas filhas de Eva! Ver-se limitada, sem o controle das coisas e incapaz de realizar certas tarefas, pode ser um choque e um balde de água fria para quem se acha com o superpoder de resolução dos problemas da humanidade. Dessa forma, nossas limitações aparecem para nós como um estorvo ou um espinho, algo que atrapalha.

O apóstolo Paulo já esteve diante de um “espinho” como o nosso, que limita e incomoda. Ao orar ao Senhor a respeito disso, a resposta que obteve foi “a minha graça te basta” (2Co 12.9). Ao orar acerca de alívio, o que Ele recebe é “as coisas permanecerão assim; a minha graça é suficiente para você nessa situação”. Não era a resposta esperada. Não é a nossa resposta esperada. Por que? Porque queremos ir além de nós mesmas. Fazer mais. Alcançar mais. Saber mais. Queremos nos tornar – ainda que secretamente – deusas. Queremos ter controle sobre tudo. Ah, pecadoras que somos! Em orgulho permanecemos, tropeçando em nossa suposta autossuficiência e caindo de cara na lama das frustrações de nossas expectativas (Pv 18.12).

Nossas limitações servem para lembrar-nos de nossa natureza pecaminosa, incapaz por si mesma e totalmente dependente; e também para nos lembrar dAquele que não é limitado de maneira nenhuma. Nossas limitações nos colocam de joelhos diante do Senhor, que tem todo o poder, glória e majestade (1Cr 29.11-12). “O espinho na carne”, como diz Jonas Madureira, “é o meio pelo qual a graça coloca de joelhos o homem que, em oculto, deseja colocar Deus de joelhos”. O grande Eu Sou é Senhor, ilimitado e glorioso; nós, miseráveis criaturas. Ainda assim, somos convidadas à comunhão com Ele pelo caminho que nos foi aberto por Cristo (Jo 14.6).

Diante de tantas tarefas e coisas de “gente grande” a cumprir, somos chamadas a escolher a boa parte: estar aos pés do Salvador (Lc 10.41-42). Devemos nos aproximar dele como crianças, de mãos vazias (Mt 5.3) e sem ter nada a oferecer ao Deus que dá tudo a todos (At 17.25), crendo que receberemos graça em tempo oportuno (Hb 4.16). Essa é a função das nossas fraquezas: exaltar a Cristo como nossa única fonte! Fazer-nos olhar para Ele como nosso Bem Supremo e totalmente suficiente para nós.

Nossas limitações nos lembram que somos seres totalmente dependentes do Senhor. Como diz Jen Wilkin em seu livro Incomparável: “Nossos limites nos ensinam o temor do Senhor. Eles são lembretes para evitar que creiamos, falsamente, que podemos ser como Deus. Quando chego ao limite da minha força, eu louvo aquele cuja força nunca falha. Quando chego ao limite da minha razão, eu adoro aquele cuja razão não se pode alcançar”.

Glória a Deus! Glória a Deus, pois não precisamos sustentar a nós mesmas pela nossa própria força e sabedoria! Se assim fosse, estaríamos perdidas. Ao contrário, podemos nos deleitar e nos apoiar em um Deus que não possui falhas, fraquezas, carências ou deficiências; cuja existência, conforme Sproul, “sempre foi perfeita, completa e satisfatoriamente feliz em si” (At 17.25). É em um Deus assim que temos confiança! Soberano, poderoso, temível! (Dt 10.17) Ao contemplar esses atributos somos libertas do peso de ser uma “supermulher" e falhar miseravelmente, para apenas nos achegar ao Pai e receber dEle tudo o que necessitamos de acordo com sua vontade, para o nosso bem e para a glória do seu Nome.

Importa que escolhamos “a boa parte” que nosso Salvador menciona. “Trata-se de ver e experimentar o amor de Cristo para sempre”, conforme John Piper. A ele me uno neste apelo: “Tenha como o seu alvo o deixar que os olhos de seu coração captem os feixes de luz da glória que resplandece no evangelho, até que a atenção de sua mente e as afeições de seu coração descansem em Deus”.

Sente-se aos pés do Salvador. Usufrua da boa parte! Usufrua daquilo que foi conquistado para você a preço de sangue (Hb 10.19)! Usufrua desse caminho aberto por Cristo! Achegue-se ao trono da graça com fé! Seja satisfeita em Cristo, o único ilimitado que supre todas as nossas carências, tem tudo sob o seu controle e promete estar sempre conosco!

Não se descabele,
Não se rebele,
O fardo é leve!
Saiba que só uma coisa lhe compete:
O Reino de Deus e a sua justiça;
E todas as outras coisas te serão acrescentadas.

Nathalya Oliveira

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