O meu bezerro de ouro…

Sinto-me honrado pelo convite de escrever em um blog tão querido quanto o FéMenina! Bem, como não manjo naaaaada de moda, culinária e outras coisas do universo feminino, decidi compartilhar algumas ideias que habitaram em meu coração nas últimas semanas (Me falaram que o tema era livre! hahah). Então, lá vou eu falar sobre bezerros de ouro. Sim, aqueles ídolos do Antigo Testamento que permearam a história de Israel e como os ecos daquela idolatria podem ser vistos até hoje em nossas vidas e meio cristão.

Vamos analisar dois episódios, começando com Êxodo 32.1-8. Os israelitas acabavam de sair do Egito, ao longo desse processo presenciaram inúmeros milagres (as pragas, o Mar Vermelho, o maná e entre outros). Moisés já havia recebido uma série de Leis – inclusive os Dez Mandamentos (Ex 20.1-17) – e, agora, subia ao Sinai para receber novas instruções de Deus, principalmente relativas ao Tabernáculo e ao sacerdócio levita. Durante quarenta dias e quarenta noites, o povo esperava seu líder impacientemente e, nesse período, então vem o erro nefasto: pedem à Arão um deus o qual pudessem adorar. Ao construir o bezerro de fundição, os israelitas conseguiram quebrar os três primeiros mandamentos de uma só vez!

1) Esqueceram quem os tirou do Egito e adoraram outro deus;

2) Esse outro deus era uma imagem forjada de um ser da Criação, o bezerro;

3) Usaram o nome do Senhor (yehôvâh) para se referir ao ídolo (Ex 32.5).

O mais irônico é que antes o mesmo povo afirmou “Faremos tudo o que o Senhor falou“. Minha primeira leitura desse texto me deixou um pouco chocado. Cara! Como?!

Deus deu todas as bênçãos possíveis para eles, deu instruções, eles prometeram obedecer e fizeram uma coisa tão horrível em tão pouco tempo?!

Entretanto, refletindo mais a fundo, a hipocrisia fica estampada na minha cara, quando vejo os reflexos desse ato na minha vida. Eu nunca fui um grande fã de ócio, inclusive em férias! Apesar de amar o descanso proporcionado, chega um momento em que só quero voltar ser produtivo em minha rotina. Percebo que quando passamos tempo demais ociosos, perdemos o senso de propósito.

Creio que isso aconteceu aos israelitas… eles estavam lá, como ovelhas perdidas sem seu pastor. E como diz o velho ditado: “Cabeça vazia, oficina do Diabo”. Já perdi a conta de quantas vezes nessas férias comecei o dia bem, dedicado à leitura da Palavra e à oração, mas horas depois, estava imerso em uma maratona de alguma série repetida no Netflix. Ou passando infinitamente o feed de notícias no Facebook.

Não estou aqui dizendo “Não faça isso” ou “Não faça aquilo“, inclusive acredito que, bem utilizados, até mesmo o Facebook pessoal e o Netflix podem se encaixar na vida cristã. Afinal, o primeiro nos permite estabelecer contatos com amigos distantes e compartilhar momentos especiais e, o segundo, é uma ótima opção para aumentar nossa cultura em Cinema sem recorrer à pirataria. A chave da questão não é o que fazemos, mas o porquê fazemos.

Hoje em nosso país, não vivemos uma realidade politeísta, com um catálogo de deuses para adoramos. Todavia, o coração ainda é enganoso (Jr 17.9), somos idólatras por instinto (Rm 3.10-11). Transformamos coisas boas do cotidiano (ouro) em ídolos (bezerro). É necessário estar esperto para isso! Sempre será mais cômodo encontrar um bezerro de ouro para adorar, do que cumprir a Vontade revelada do Deus Vivo.

A fim de explorar mais essas ideias, vamos para 1 Reis 12.25-33. Nesse contexto, Salomão pecou contra o Senhor quando era rei, por isso Deus decidiu deixar apenas a tribo de Judá sob a dinastia de Davi, entregando nas mãos de Jeroboão as outras tribos de Israel. E isso se cumpriu. Após Israel, exceto Judá, se rebelar contra Roboão, herdeiro de Salomão, proclamou Jeroboão como seu rei. No entanto, o rei dos rebeldes não confiou em Deus e temendo ser traído, construiu dois bezerros de ouro para o povo não ir até Jerusalém sacrificar no Templo do Senhor. Apenas dobrou a conhecida receita para Ira de Deus.

Aqui encontramos outro ponto, os ídolos podem ser usados por outros contra nós. Eles anestesiam nosso coração e desviam nosso foco do Senhor. Quando digo outros, refiro-me ao príncipe do poderio do ar, Satanás, o qual atua sobre este mundo de trevas (Ef 2.2). Às vezes esquecemos, mas, assim como Israel, vivemos a realidade de uma guerra civil – espiritual, em nosso caso (Ef 6.10-12).

Volto ao meu exemplo de Netflix/Facebook, depois da imersão, sinto-me tentado a não realizar meus deveres cristãos, como buscar a Deus em Sua Palavra e demonstrar amor ao próximo, bate a preguiça e viro uma massa inerte enraizada ao sofá/cadeira. Esvai-se as bênçãos de Deus, diversão e lazer, restando um vazio existencial. Esqueço quem sou, esqueço meu propósito, esqueço Quem me chamou pela Sua imensa Graça, esqueço da Cruz e do Sangue derramado por mim. Somos soldados a serviço do Rei dos Reis e Satanás fará e faz de tudo para tirar nossa atenção do Reino de Deus – nossa suposta prioridade, lembra? Não é como fossemos péssimos cristãos por isso, mas com certeza não estamos dando nosso melhor, muito menos fazendo tudo para Glória de Deus!

Meu objetivo não é menosprezar a vida cristã de alguém ou ser um estraga-prazeres legalista. Não me entenda mal, somos chamados a desfrutar das bênçãos de Deus na Criação, sem esquecer do Temor, é claro (Ec 11.9-10). Quero te convidar a realizar uma autoanálise. Buscar perceber quem são seus ídolos. Onde está a linha tênue a qual separa lazer de idolatria. Pode ser uma rede social, um seriado, uma companhia má influente, um esporte e por aí vai. Devemos ser sábios e não desperdiçarmos nosso tempo, pois os dias são maus (Ef 5.15-16). Enquanto perdemos tempo com ídolos, a Sabedoria do Alto clama por nossa atenção (Pv 8.1-6).

Que o Espírito Santo nos conceda moderação (2 Tm 1.7) e domínio próprio (Gl 5.23) para não sermos subordinados ao nosso coração corrupto. Mas semelhantes ao Rei Josias, rasguemos nossas vestes e derrubemos todos os altares “pagãos” em nosso ser, pois do Senhor é toda honra e glória!

Leonardo Cunha/ Florianópolis – SC

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