Motorista de Ônibus

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Olá meninas!

Um amigo me enviou um texto que ele escreveu, e eu gostaria de compartilhar com vocês.

Em meio nossa rotina, mal percebemos as pessoas ao nosso redor. Que tal dar mais “bom dias” e valorizar o serviço de pessoas como talvez, um motorista de ônibus?

Boa leitura!

4:30 da manhã. Mais um dia de trabalho no seu ônibus, querido companheiro de cada dia. Barulhento como ele apenas sua mulher quando vê a toalha no chão do quarto. Pessoas entrando a cada parada. Bom dia, dizem alguns. Mas outros, passam sem ao menos olhar nos seus olhos. Trabalhadores, estudantes, aposentados, doentes. Tristes, alegres, bravos,  falantes. Vermelho, verde, amarelo, vermelho, verde, amarelo. Sempre o mesmo trajeto, as mesmas ruas, as mesmas paisagens, os mesmos movimentos. Dores nas costas, nos braços, nas pernas. Dezenove. Dezoito. Só mais 10 paradas até o ponto final, pensa. Ônibus vazio.

Os sons rápidos no chão metálico revelam o desespero de ter que segurar o xixi por mais de trinta minutos. Cheiro horrível. Porta sem tranca. Chão molhado. Não importa, vai ser aqui mesmo. Alívio.

O motor continuou ligado e novos passageiros tomaram os seus lugares. Hora de partir. Mais uma viagem e a marmita de arroz, feijão e salsicha que sua mulher preparou, será devorado.

O sol é quente lá em cima. O motorista vai até o banco e pega sua “tupperware” de aço, plástico não pode, pois quando colocar no motor para esquentar, derrete. Muitas foram as queimaduras. Como sempre, a cadeira é a calçada e a mesa suas próprias mãos.

Lá pelas quatro da tarde, entra um menino que parece ter os seus 15, 16 anos. Assalto. Com um revólver na mão, grita com o cobrador e leva todo o dinheiro. Vai ser descontado do meu salário de novo. Irritado, os sons da buzina se tornam mais frequentes. Um velhinho faz sinal. Que se dane. Passou direto.

Horas dobradas. Com a crise, parte do quadro de funcionários foi cortado e o serviço aumentou. O chefe diz que está fazendo um favor para os motoristas e todos tem que agradecer de ter um emprego. Silêncio. O ditado diz que quem cala, consente. Mas, desta vez, foi diferente.

Depois que bateu o ponto, o motorista voltou para o veiculo e fez toda a limpeza. Depois de meia hora, estava pronto para ir embora. Todo dia é assim. Ele sabe que não vai ser pago a hora extra, por isso, paga do seu próprio bolso para trabalhar.

Caminha até um ponto de ônibus para ir para casa. Faz sinal para parar. O colega de trabalho o recebe com um cumprimento alegre, mas quando os seus olhos se encontram, sabem da dor que sofrem. Amanhã é um novo dia, talvez seja diferente.

Colunistas-08

 

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