Minha História de Amor – Arele e Victor Pradella

Era tarde, o dia estava ensolarado e eu estava curtindo a água fresquinha da piscina de nossa nova casa. Nós tínhamos nos mudado há pouco, em função do trabalho de minha mãe; ela é pastora, então sempre nos mudamos. Mas não era só a gente que era novo por ali. Nesse dia, chegou lá em casa uma mulher com seu filho, para o apresentar à pastora, no caso minha mãe, e pedir para que a igreja o acolhesse, pois ele ia fazer faculdade e morar sozinho. Foi nessa hora que, não lembro se fui chamada ou se fui de curiosa, mas coloquei meu bermudão por cima do biquíni e cheguei encharcada e descabelada, para me apresentar. Pensa num rapaz esquisito: calouro de cabeça raspada, sobrancelhudo, colar de coquinho, muito bicho grilo! Era do interior do Paraná e comprometido. Beleza, ele entrou para a lista “colegas da igreja”.

Passando o tempo, conheci a galera da igreja e o pessoal era muito legal e muito unido. Logo comecei a participar do louvor e, adivinha? O menino também. Ele cantava, tocava e logo já estava super enturmado. Virou o queridinho da galera, estava sempre disposto, de bem com a vida e participava de tudo na igreja. Eu comecei a ficar curiosa porque, apesar de esquisitinho, ele era fofo. Mas eu jamais admitiria isso. Não eu. Ainda mais um cara que tem namorada! Ao mesmo tempo, fui ficando mais chegada de toda a galera. Foi um tempo muito bom.

Vida nova, cidade, escola, amigos, igreja, tudo novo. Eu estava no segundo ano do ensino médio, num colégio vinculado à faculdade. E, já não bastava o guri tocar, cantar, ser um querido, ele tinha que ser um cara mais velho da faculdade? E é claro, eu achava o máximo conhecer um cara da universidade, apesar de ele ser um bicho grilo da oceanografia. Não importava, todo mundo queria ter um amigo da facul, ainda mais sendo novata na escola.

A gente, às vezes, se esbarrava nos corredores, mas rolava uma vergonha… Que fase!! Até que certo dia eu o vi descendo de uma rampa e, de longe, vi que não estava usando a aliança de namoro. De curiosa, passei à muito interessada no assunto. Quando chegamos perto, peguei sua mão e perguntei: “Nossa! O que aconteceu?” Sua resposta foi curta e rápida: “Distância e mudanças.” Parece que na hora rolou um movimento de liberar sentimentos dentro de mim e, de simples curiosa, passei a uma apaixonada. Mas só de leve! Hehehehe

Passou um tempinho e não sei se era a idade ou se era loucura, mas eu pensava muito nele. Então resolvi me aventurar. Tanto que começamos a nos ver mais e nos conhecer melhor. Caminhávamos muito na praia à noite e conversávamos sem parar, nunca dava vontade de voltar para casa. Até que, certo dia, num banquinho em frente ao mar, rolou nosso primeiro beijo. Foi assim que tudo começou.

Daí foram muitos beijos, abraços, caminhadas na praia à luz do luar. Amávamos a lua e escolhemos uma pedra, que era só nossa, na qual a gente encostava o pé no fim da praia para voltar. Ele não media esforços para me dar um cheiro, seja de bike ou a pé, nos dias lindos de sol ou debaixo de chuva. Minha família gostava muito dele, tanto que minha mãe fazia um pudim que era só para o genrinho dela. Ele levava para casa e escondia embaixo da cama, para os amigos não pegarem! Assim foi aquele tempo de namorinho. Éramos tão novinhos!

Lembro que uma vez terminamos, porque ele era muito vadio, não estudava e só curtia a vida, enquanto eu já trabalhava, estudava e treinava. Ficamos seis meses separados, até que um o dia o Vitinho saiu da fossa que vivia por causa do nosso término. Colocou o moletom rosa, a bermuda e o tênis adidas que eu mais amava; cortou o cabelo e apareceu em uma reunião de oração com um sorriso imenso no rosto. Depois da reunião me encurralou e disse que não ia desistir de mim. Quem resiste a esse tipo de abordagem? É óbvio que fiquei pensando pra sempre naquilo, ainda mais porque estava em um relacionamento que não era legal.

Logo, não deu certo com o cara que eu namorava. Liguei para o Vitinho e o chamei para caminhar. Sempre pedia para correr em nossas caminhadas do passado e ele recusava. Nesse dia, eu falei para corrermos e ele, na tentativa de me reconquistar, aceitou. Na corrida resolveu brincar comigo e me deu uma trombadinha, eu voei, rolei na areia e me ralei inteira. Tadinho, ficou todo chateado por ter me machucado e eu ri muito daquilo.

Ele sempre foi tão bondoso, querido, cuidadoso, amoroso. Eu percebi que o amava como nunca amei em minha vida. Foram outros meses lindos de risadas, cartinhas, recadinhos, compartilhávamos mensagens da Bíblia, tocávamos e íamos à igreja juntos. Eu amava assistir aos cultos de mãos dadas. Como era bom aquele tempo! Até que a vida se encarregou em nos separar. Ele foi morar com o pai nos EUA e eu passei no vestibular em Florianópolis-SC.

Fui estudar música, bacharelado em piano. O primeiro ano da faculdade foi um dos mais empolgantes e emocionantes, mas um dos mais sofridos. Eu estava muito feliz com o curso, novos amigos, mas sentia falta dele e de minha família. Foi o ano em que mais chorei de saudade. Passava noites sozinha chorando no quarto com meu amigo travesseiro. Graças a Jesus, conheci amigas vizinhas que viraram irmãs para mim e me ajudaram a passar por aquele e pelos outros anos da universidade.

Bom, como sou péssima com relacionamentos à distância, aquele sofrimento me desgastou e me deixou cinza. Eu não sentia mais nada, como se meu coração estivesse amortecido. Passou o primeiro ano e ele voltou, mas estávamos diferentes demais e, como os planos de Deus não são os nossos, cada um foi para um canto. Não nos vimos mais e não nos falamos mais. Cada um foi cuidar de sua vida.

Foram sete longos anos separados… Um tempo de muito aprendizado. Acertei, errei (e muito), sorri e chorei. Por muito tempo fiquei com a ideia de que o Vitinho só era um “ex” que ficou famosinho, “se achão pra caramba”. Se eu ouvia falar seu nome, era a primeira a falar mal dele. Fiz a má fama dele para os meus amigos e achava que tudo que vinha dele ou estava relacionado a ele era ridículo. Nem tinha ouvido o som dele com o Rodolfo e já tinha certeza que odiava. Dizem que amor e ódio são separados por uma linha bem fininha. Nesse tempo, relacionei-me com alguns caras (meu passado me condena). Estava procurando o homem da minha vida, orava a respeito e, com certeza, Deus teve (e ainda tem) muita paciência comigo, porque errei e demorei pra caramba a entender o que era tão óbvio.

Inclusive, tive um namorado que era meio fã do Vitinho e ora ou outra ele comentava sobre ele. Toda vez que meu “ex” era citado, eu acabava com ele. Fazia questão de deixar claro meu desgosto. Até que um dia esse cara disse: “Você fala tão mal do Vitinho. Acho que ainda gosta dele.” Aquilo bateu como comida estragada no estômago, pois eu não admitia… Somente depois de sete anos voltei a pensar nisso! Meu relacionamento com o fãzinho não ia bem e terminamos.

O Vitinho estava quicando na minha cabeça. Pensei: “Tô doida!” Liguei para a minha mãe e pela primeira vez, depois de muito tempo, falei em voz audível: “Mãe, tô pensando no Vitinho. Acho que ainda gosto dele.” Minha mãe, na sua sabedoria (ou loucura), disse: “Filha, você é nova e solteira. Liga pra ele!” O quê?????? Não, né! Eu não iria ligar pra ele. O que eu falaria??

Não segui os sábios conselhos de minha mãe. Ao invés disso, liguei para o Seco, nosso amigo em comum, e pedi o endereço do Vitinho para mandar uma carta. Não tive sucesso, ele só me deu o cel. Disse para eu ligar, que era viagem da minha cabeça mandar uma carta (acho que ele e minha mãe tinham razão). Dois dias depois, era um domingo à noite, eu resolvi ligar. Me deu dor de barriga, vontade de vomitar, quase tive um treco, mas arrisquei. Para quem não sabia o que dizer, a conversa durou quatro horas e, no fim, combinamos um dia para conversar sério a respeito do assunto.

Nós não morávamos na mesma cidade, então demorou para que esse dia chegasse, mas finalmente chegou. Eu estava super ansiosa, com frio na barriga, até que ele chegou para me encontrar na casa da minha mana em Balneário Camboriú. Dreads gigantes, tatuagens e regata… Definitivamente não parecia o menino que namorei aos quinze anos. Foi um pouco chocante, esquisito, emocionante, divertido e aliviante encontra-lo. Sinceramente, achei que magicamente, em cinco segundos, ele corresponderia e ficaríamos juntos, como nos filmes, mas não foi tão rápido e simples assim. Ele ficou bem desconfiado com a história toda, demorou a processar, mas pela primeira vez na vida eu estava disposta a esperar por alguém, porque dentro do meu coração eu tinha muita certeza de que o amava.

Deus colocou um sentimento de paz, tranquilidade e uma sensação de voltar pra casa. Eu me sentia em casa com ele. Não tive pressa e não quis apressá-lo, tinha certeza de que, se aquilo que era tão forte dentro de mim, tinha sido Deus que reviveu, Ele também faria o mesmo no Vitinho. Então foram alguns meses se reconhecendo. Nesse tempo eu percebi que tudo o que eu reclamava e queria que ele mudasse em nossa adolescência estava mudado. Ele virou um cara maduro, trabalhador, que corre atrás dos seus sonhos. E por mais clichê que isso pareça, eu o amava do jeito que ele era; não tinha que mudar nada nele. Ele realmente  era o homem dos meus sonhos. Foi uma imensa resposta para qualquer dúvida que restasse no meu coração.

Até que, passado uns meses, ele me disse: “Eu te amo”. Já escutei muitos “eu te amo” da boca pra fora, mas esse foi o mais racional, sentimental, sincero e profundo que escutei. Valeu a pena esperar que ele tivesse certeza e todas as respostas, de que precisava. Suas ações e esforços já vinham demonstrando, mas quando ele disse isso depois de tantos anos, pareceu um desabafo de um segredo que estava há muito tempo guardado e praticamente esquecido. Neste momento, ele podia trazer à tona e veio mais forte do que nunca. Agora, juntos, nosso sentimento foi crescendo e ficando mais forte.

Depois disso parece que Deus estava aguardando a gente dar o nosso passo para que Ele pudesse fazer a Sua obra. Seguimos todos os protocolos. O Vitinho fez questão de falar com meus pais para me pedir em namoro. Minha mãe nos falou algumas palavras e meu pai, bem humorado, disse: “Tinha uma senhora que ia à missa todo domingo e chorava, chorava enquanto o padre ministrava. Certo dia, o padre, intrigado, foi perguntar por quê ela chorava tanto durante as ministrações e ela respondeu: “É que toda vez que olho pro senhor com essa barbicha, penso: Ai que saudade do meu bodinho que morreu. Tadinho!” Essas foram as palavras do meu pai (isso tudo por causa da barba do Vitinho). Amo meu pai!!! Enfim, os dois nos abençoaram e as coisas começaram a acontecer.

Logo começamos a organizar nosso noivado, algo simples com a família. Bem antes do planejado, ele me surpreendeu com um pedido de casamento inusitado. Escolhemos uma data para o casamento e fizemos nosso almoço de noivado. Conforme dávamos um passo de compromisso e fé, as portas iam se abrindo. Para nós, cada detalhe que ia dando certo e magicamente acontecendo era resposta de que estávamos no caminho certo. Deus foi nos guiando.

Nós não tínhamos condições para pagar um casamento, mas com a graça de Deus, tivemos mais trabalho aquele ano e também foi uma ano bom para nossa família, que nos ajudou muito para que tudo se concretizasse. Foi o casamento mais lindo de todos! Tudo tinha nossa cara, foi simples e perfeito, desde os girassóis, até o pôr-do-sol e a lua com que Deus nos presenteou naquele dia.

Hoje, posso dizer que Deus é muito bom, não merecíamos nada disso, mas pela Sua misericórdia e graça hoje somos um casal feliz e cheio de amor, mesmo com as dificuldades da vida. Moramos em uma casa simples e charmosa num lugar lindo e com bichos fofos. Esse não é o fim da história, mas o início de uma vida juntos no amor de Jesus, com esperança de vivermos felizes para sempre.

Ensaio do Casal: http://doisdenos.com/2017/02/04/arele-e-victor/

Palavras dele: “Essa música é um pequena homenagem em terceira pessoa, à mulher pra quem entreguei meu coração.”

Deles para eles <3

Deles para Deus <3 <3 <3

Indicação: Gabrielli Beuter

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