DECEPCIONADO COM DEUS

Não digo isso de uma maneira “espiritualizada”, mas não existe nada tão incrível quanto um momento de real contato com Jesus Cristo. Consigo lembrar-me de dois momentos em que Deus se mostrou tão vivo e presente em minha vida que nada, nem ninguém, me convenceria do contrário.

O primeiro aconteceu em 16/01/2007, o dia de minha conversão. Local: o Acampamento Batista Pioneiro, na noite da fogueira de meu último Acajumer (acampamento para juniores) – Após a pregação, nada mais importava – Confesso que para um menino de 12 anos não havia nada mais divertido que dançar social, mas naquela noite tudo que consegui fazer foi entrar em minha barraca e orar a Deus com lágrimas nos olhos, entregando minha vida para ele.

O segundo momento aconteceu em 2013, voltando de uma viagem de carro com minha família, paramos na cidade de Penedo/RJ para aproveitar o final da tarde e degustar um fondue. Na primeira vez que levei um garfo à boca, me queimei e formei uma bolha no lábio. Ao passar a língua sobre a bolha, desmaiei de dor. Esse incidente nos fez abrir mão dos planos e voltar ao hotel mais cedo. Mal sabíamos que era a mão de Deus que nos tirava daquele local.

Horas depois, uma tempestade causou vários deslizamentos de terra, e aqueles que não foram atingidos pela lama tiveram que passar a noite em seus carros, pois não era mais possível chegar aos hotéis. Enquanto isso, eu e minha família estávamos em segurança, reconhecendo a proteção de Deus.

Experiências como essas nos lembram do poder do Deus vivo a quem servimos. O problema é que temos uma memória curta demais. Rapidamente nos esquecemos do que Deus fez e representou para nós, e seguimos com nossos sentimentos e desejos. As parábolas do “Homem prudente” (Lucas 6.46-49) e “do Semeador” (Lucas 8.1-15) mostram exemplos de como é fácil cair: basta não ter uma base sólida (experiência de conversão) ou uma terra constantemente regada e adubada (alimento espiritual).

Todos passamos por isso em alguma medida, porque o termo “colocar a esperança em Jesus”, quando o tornamos Senhor de nossas vidas, implica em ESPERA. Durante essa espera, este tempo de deserto, criamos nossos próprios planos e expectativas. Caso eles não coincidam com o tempo ou o desejo de Deus, nos decepcionamos.

João Batista também teve um momento de grande intimidade com Deus. Antes de iniciar seu ministério, Jesus foi ao encontro do profeta para ser batizado por ele no rio Jordão. Nesse episódio, João viu o Espírito Santo descer sobre o Messias em forma corpórea de pomba e uma voz vinda do céu afirmar: “Tu és meu filho amado; em ti me agrado” (Lucas 3.21-22). As revelações de que Jesus era o Messias eram tão fortes na vida do profeta que ele abdicou de sua vida para viver de maneira simples e pregar as boas novas.

Toda a sociedade o reconhecia como um grande homem, e o próprio Jesus afirmou que “entre todos os que nasceram de mulher não há ninguém maior que João”. Mesmo assim ele duvidou e se decepcionou com Jesus. Após passar meses preso por causa do Evangelho, João Batista envia discípulos para perguntar a Jesus se ele era realmente o Messias (Lucas 7.18-23). João havia criado suas próprias expectativas sobre como o reinado de Jesus se daria, e uma vez que o Reino não avançava como imaginava, quis colocar o Mestre para agir.

Isso não significa que Jesus não estava no controle da situação. Pelo contrário, tudo se cumpriu no tempo e da forma escolhidos por Deus. Mas aquilo que o coração de João planejava não coincidiu com os planos de Deus. Jesus poderia ter-lhe respondido com palavras impactantes, mas prefere refrescar sua memória com uma experiência! Jesus realiza milagres que nenhum outro homem, senão o Filho de Deus, poderia realizar. Com atos impressionantes e a lembrança de que mortos são ressuscitados e as boas novas pregadas aos pobres, ele lembra o profeta quem ele é: o próprio Deus vivo. João estava para desistir dele, mas Jesus nunca se esqueceria de João.

De fato, é importante termos experiências com Jesus, mas não podemos depender delas. Por mais que Deus possa se manifestar de maneira sobrenatural todos os fins de semana, ou quando – de vez em quando – decidimos orar, a Bíblia mostra que não é assim que Ele trabalha. Deus exalta os que têm fé, e por ela pautam todas as suas decisões. O desafio é ter uma fé que nos leve a buscar a Deus e esperar nele mesmo quando Jesus parece distante. E a bênção para os que conseguirem é uma vida mais feliz, pois em todos os momentos saberão que Deus está no controle (Lucas 7.23).

Você pode achar que sabe do que precisa e o quê – ou quem! – lhe faria feliz.

Mas Deus tem algo melhor preparado aos que o amam. Lembre-se: que os pensamentos dEle são mais elevados que os seus. Ele sabe que você almeja uma vida profissional de sucesso, um marido que a ame e respeite, uma família estruturada para cuidar etc., então entregue o futuro em Suas mãos. Enquanto o tempo certo não chega, cuide de seu coração e seja uma mulher virtuosa, segundo a vontade de Deus.

Lucas Regeta de Paulo – Curitiba/PR

 

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