Correr…

Leia o texto bíblico: João 4. 6-30

… e ela deixou seu jarro e correu.

Somos tomadas por desejos, todas nós. Temos algo que precisa ser saciado, uma sede legítima, seja por algo concreto ou por sentimentos. A mulher que conhecemos como “Samaritana” (João 4) era como nós. Ela tinha sede. Estava indo ao poço aquele dia. No caminho, esperava chegar logo ao destino para saciar sua sede, pois fazia um calor escaldante. Mas, ela trazia consigo mais que um corpo sedento por água. O jarro vazio era leve comparado ao peso de sua culpa e vergonha, afinal, ela já havia bebido dos “poços ilícitos” do romance e do sexo e havia ficado marcada.

Quem a olhava via uma mulher suja, sem recato, sem moral, sem conserto. Então, a vergonha lhe deixou sozinha ao sol do meio-dia. Vagando em seus pensamentos, talvez pensasse no que havia de errado com ela, pois, apesar de estar em um novo relacionamento, não se sentia completa, continuava com a alma sedenta pedindo por mais amor, e mais, para sanar também a dor. Elogios, carícias, presentes serviam como pequenos goles, como gotas, mas ela precisava de mais, de um amor que aquele novo marido não poderia lhe dar. O poço dele também já estava secando, e no fundo havia apenas lodo. Seria ela mais uma vez abandonada? Talvez, já estivesse fantasiando estar bebendo de outro “poço”. Ou, lhe parecia a única saída abandonar tudo à procura de um novo “poço”.

Quando essa mulher está chegando ao ápice de ser consumida pelo seu desejo de amor e aceitação, que lhe causava uma dor profunda na alma, ela tem um encontro inusitado. E era tudo o que ela pensava não precisar naquele momento! Mesmo assim, poderia se esconder e não desvendar sua alma sedenta por aquele homem, afinal, ele nem a conhecia. Ela tentou se esconder como pode: na sua posição social de mulher; na sua religião, afinal, estava falando com um profeta. Mas Jesus sabia tudo, todos os desejos e toda a água podre que já havia sido bebida. Ainda assim, ele escolheu se sentar à sombra daquela árvore, ao lado daquele poço e esperar por ela. Com gentileza, durante a conversa, retirou uma a uma as máscaras que ela usava para se proteger dos abusos dos outros. Saciou sua sede de aceitação. O Messias, Filho de Deus, escolheu ter uma agradável conversa e se revelar a ela, sem julgamento, sem pressa, jogando limpo, falando a verdade. Colocou sua história nos trilhos da vontade de Deus, chamando o primeiro marido para esse encontro (os trilhos nunca estão tão longe que não possam ser encontrados novamente).

Mas como sabemos que ela saciou sua alma em Jesus completamente? Poderei eu saciar a minha? Não sabemos por quanto tempo a Samaritana e Jesus conversaram, se riram, se choraram… mas podemos perceber um detalhe bem importante na narrativa. Ela deixou seu jarro aos pés de Jesus, o símbolo da sua busca por saciedade em coisas humanas. Então, correu ao encontro daqueles que antes lhe imputavam culpa e vergonha. Correu mais uma vez, de volta a Jesus, a fonte de vida, agora livre, completamente saciada.

“Na verdade, o que buscamos não é o dinheiro ou a fartura, ou o sexo, ou o sucesso, mas a eternidade. Em outras palavras, nosso desejo primário é por Deus, e não por coisas que podemos conquistar como substitutas para aquilo que somente Deus pode satisfazer” Ricardo Barbosa.

Neste final de ano, quando a sede do corpo e da alma parecerem lhe desorientar e lhe causarem uma dor profunda, deixe seus próprios jarros, abandone os poços de água suja e corra para a fonte da água da vida… Jesus.

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Posted in Edificadas, Série Devocional FéMenina.

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