A PALAVRA MAIS DIFÍCIL QUE PARALELEPÍPEDO

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Perdão. Palavra tão pequena, mas tão difícil de ser colocada em prática. Isso acontece porque esperamos sempre do outro a atitude que deve começar em nós. No meu caso, o aprender a perdoar começou de uma forma bem errada e que até pouco tempo refletia na minha forma de lidar com as pessoas. Na infância até a pré-adolescência, eu não conseguia dizer o tão difícil “me perdoa”, nem mesmo a sua variação mais leve, o “me desculpa”. Tudo bem que muitas crianças não conseguem mesmo dizer isso.

O problema é que, para me livrar da responsabilidade de falar essas palavras, eu simplesmente escrevia cartas. Briga com a melhor amiga? Uma carta cheia de corações e palavras fofas era suficiente. Discussão com pai e mãe? A carta exigia um pouco mais de cuidado e muitas, muuuitas folhas.

As pessoas achavam bonito e criativo, no entanto, o hábito internalizou em mim, por muito tempo, essa falta de responsabilidade em pedir perdão. Não havia mais a necessidade de dizer “me perdoa”, de olhar no olho e pedir retratação. consigo oferecer nem pedir perdão. O que fazer? Escrever cartinhas

O tempo foi passando e a dificuldade só aumentava. “Socorro, não como na infância não dá mais! ”. Tudo isso aconteceu até que fui confrontada com os escritos de Corrie Ten Boom, hoje minha heroína da fé. Corrie foi uma cristã implacável, que foi levada a campos de concentração nazistas, onde presenciou barbáries, morte de entes queridos, além do milagre de ter sido livrada destes horrores, anos depois. Em seu livro, “Refúgio secreto”, Corrie conta como Deus trabalhou o perdão em sua vida.

Enquanto pregava em uma igreja, um homem chegou para apertar sua mão e agradecê-la pela mensagem ali pregada. Ao cumprimenta-lo, Corrie reconhece o homem e percebe que era ele um dos que haviam feito coisas horríveis com ela e sua irmã no campo de concentração. Agora, já convertido a Cristo, ele aguarda o aperto de mão enquanto Corrie não consegue sequer levantar os braços.

Ela, que por tanto tempo pregou sobre perdão não conseguia perdoar o homem a sua frente. “Jesus, não consigo perdoar. Dá-me do teu perdão.”, disse Corrie. Imediatamente, ao levantar os braços em direção ao homem, Corrie sentiu uma energia que brotou nela que a levou a perdoá-lo ali. Sobre isso, Corrie resume bem em um trecho do livro:

“Foi assim que aprendi que não é em nosso perdão, nem em nossa justiça própria, que repousa a sorte do mundo, mas nos de Jesus. Quando ele ordena que amemos nossos inimigos, ele nos dá, juntamente com a ordem, o seu amor.” (p. 278)

Talvez você seja como eu, vencida pelo orgulho, sem coragem de perdoar face a face alguém. Talvez uma briga familiar, um desentendimento com uma amiga, ou assuntos mais delicados como traição ou abuso tenham fechado você para o mundo, te aberto à desconfiança e o perdão já não faz mais parte do seu vocabulário. Em meio a tudo isso, olhe para Corrie. Ela aprendeu da forma mais doída e não foi pelas suas forças; ela estava quebrada por dentro, havia uma ferida não curada. Corrie aprendeu com Cristo a liberar perdão e amar seu inimigo.

A Bíblia também nos diz que éramos inimigos de Deus, mas Ele nos perdoou em Jesus, levando sobre ele toda a culpa que poderia haver sobre nós.

Não é fácil perdoar. Exige deixar o orgulho de lado, portanto não conseguimos este feito sozinhas. Cristo é quem te oferece auxílio para passar por isso. Que assim como ocorreu com Corrie, a descarga elétrica poderosa de Cristo inunde o seu coração e converta toda a mágoa e ressentimento em amor, gerando assim perdão que vem de Deus.

Oração: Senhor,por mim mesma, não consigo perdoar e muito menos pedir perdão. Me ajuda a meditar em Tua Palavra e a entender que eu também não merecia o Seu perdão, que foi dado a mim graciosamente pelo seu filho Jesus. Me ajude a entender que isso faz toda a diferença.

 Leia Efésios 1:7; Efésios 4:32; Colossenses 3:13;

Débora Lima – Youtube.com/polenporpolen

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